Entrevista Motivacional com Famílias

Um pequeno, mas um crescente número de publicações evidenciam a aplicabilidade da Entrevista Motivacional com famílias que enfrentam o uso de substâncias psicoativas. A Entrevista Motivacional maximiza a possibilidade de engajamento familiar no tratamento, mediante a sensibilidade do profissional ao contexto de desenvolvimento familiar que inclui as respostas dos membros as demandas do ciclo de vida familiar, bem como comportamento de risco e fatores estressores que podem estar presentes. Neste contexto é necessário considerar, quem percebe a situação, quem fala, quem ouve e em que ordem isso é realizado, pois ao trabalhar com a família , o profissional deve estar atento a todo funcionamento grupal, bem como a participação de todos os membros no tratamento, tanto nas sessões , quanto fora delas.

O processo de mudança requer engajamento familiar, sendo a queixa algo que todos os membros da família necessitam abordar.

A fundamentação da Entrevista Motivacional é pautada na utilização de habilidades de aconselhamento empáticas, centradas na família  com o objetivo de aumentar a motivação para  explorar e resolver ambivalência, enfatizando a importância da escuta qualificada para o engajamento familiar na intervenção de modo a ajudar a família a explorar e, esperançosamente, resolver sua ambivalência.

 

Neste sentido, os autores da Entrevista Motivacional chamam à atenção para que os profissionais tomem cuidado e não se deixem influenciar por uma conduta na qual intitulam “reflexo de endiretamento”, que seria o desejo do profissional de tentar corrigir no outro aquilo que lhe parece errado, modificando o curso das ações a partir de suas próprias perspectivas ou do local de trabalho.

A Entrevista Motivacional parte do pressuposto de que quem tem a verdade ou as respostas para os questionamentos é a própria família; cabe ao profissional evocar estas informações e empoderar o grupo familiar quanto a este saber.

 

Maiores informações:

Figlie, NB. Entrevista Motivacional com Famílias. In: Payá, R. e col. Intervenções Familiares para abuso e dependência de álcool e outras drogas. Rio de janeiro: RJ: Gen, 2017 pp 87 – 101. ISBN 978-85-277-3048-8.

 

Entrevista Motivacional como alternativa para o uso de Substancias Psicoativas

Na maioria das vezes a pessoa que procura um tratamento com um profissional de saúde traz a crença de que a hora que quiser eu paro;  que já tentou tantas vezes e que não vai conseguir; que usar ou beber um pouco, não fará mal, entre outras crenças.

A entrevista motivacional (EM) é um estilo de aconselhamento utilizado  em diversas áreas da saúde, social, educação e judiciária que almeja promoção de  mudanças comportamentais. Por meio de uma conversa colaborativa, que envolve parceria, aceitação, compaixão o profissional evoca as motivações intrínsecas do cliente que o levam a manter um consumo de substancias, bem como aqueles que procuram ajuda para interromper o consumo.

O passo inicial é a aceitação da realidade e envolvimento na tomada de decisões:   Não se assuste se descobrir que você está em situações extremas, pois nem tudo é só preto ou só branco, existem situações que podem ser mudadas e só dependem de você. Lembre-se que existem muitas pessoas que estão divididas (querem parar porque estão com problemas financeiros, mas querem continuar bebendo porque a bebida lhe dá mais prazer na vida, por exemplo). Se faz necessário  avaliar os dois lados da questão e descrever as vantagens e desvantagens entre parar e continuar com o uso.

O profissional deve encorajar e conduzir o trabalho de modo que a pessoa inicialmente se engaje no tratamento e para tal, essa deve estabelecer um foco claro com relação a mudança que almeja realizar, para posteriormente o profissional trabalhar a evocação de seus valores, motivos, desejos e habilidades para a realização da mudança. Por fim, profissional e cliente realizam juntos o planejamento da intervenção focado na mudança de comportamento possível e viável para a pessoa diante das condições no seu momento presente.

Neste contexto, se faz necessário compreender a ambivalência como a percepção do cliente sobre a importância que ele atribui à mudança, bem como quão confiante se sente para a realização dessa mudança.  Um método simples para avaliar a importância e a confiança é a escala de disposição.

 

Escala de Disposição

Quão importante é para você realizar esta mudança? Em uma escala de 0 a 10, sendo o 0 não importante e o 10 extremamente importante, que nota você se daria?

                                 0…1…2…3…4…5…6…7…8…9…10

Sem importância                                                              Muito importante

 

Quão confiante você se sente para realizar esta mudança? Em uma escala de 0 a 10, sendo o 0 sem confiança e o 10 muito confiante, que nota você se daria?

                           0…1…2…3…4…5…6…7…8…9…10

Sem confiança                                                   Muito confiante

 

Ao profissional compete compreender os diferentes perfis dos clientes de acordo com a importância e com a confiança que sentem em relação a sua mudança.

Grupo A – Baixa importância e confiança Grupo B – Baixa importância e alta confiança
Os indivíduos não veem como importante ou não acreditam que podem ter sucesso se tentarem mudar. Os indivíduos mostram-se confiantes para a realização da mudança e não visualizam sua importância.
Grupo C – Alta importância e baixa confiança Grupo D – Altas importância e confiança
Essas pessoas não desejam mudar porque não se acham em condições de fazê-lo. Estas pessoas acham a mudança importante e acreditam que podem ter sucesso na realização dela.

 

Os perfis A,B e C são aqueles que mais se beneficiarão da ETM.

 

Entrevista Motivacional como alternativa para trabalhar a Nutrição Comportamental

Na maioria das vezes a pessoa que procura um tratamento com um nutricionista traz a crença de que previamente não vai conseguir seguir as recomendações ou que já sabe tudo que será dito.

A entrevista motivacional (EM) é um estilo de aconselhamento utilizado  em diversas áreas da saúde, social, educação e judiciária que almeja promoção de  mudanças comportamentais. Por meio de uma conversa colaborativa, que envolve parceria, aceitação, compaixão o profissional evoca as motivações intrínsecas do cliente que o levam a manter uma alimentação desregrada, por exemplo.

O profissional deve encorajar e conduzir o trabalho de modo que a pessoa inicialmente se engaje no tratamento e para tal, essa deve estabelecer um foco claro com relação a mudança que almeja realizar, para posteriormente o profissional trabalhar a evocação de seus valores, motivos, desejos e habilidades para a realização da mudança. Por fim, profissional e cliente realizam juntos o planejamento da intervenção focado na mudança de comportamento possível e viável para a pessoa diante das condições do seu momento presente.  Ou seja, em um atendimento nutricional pautado na ETM, dificilmente o cliente sairá com uma dieta prescrita na primeira sessão.

  • Solicitar ao cliente que descreva os extremos de suas preocupações, que imagine as piores consequências de seu comportamento atual.
  • Diante do exposto acima, ajudar o cliente a visualizar um futuro modificado: “Se você decidir fazer uma mudança nutricional , quais seriam suas expectativas para o futuro?”.
  • Solicitar ao cliente que se recorde de uma época anterior ao problema ter surgido e que a compare com sua situação presente. O objetivo aqui é prospectar as habilidades que a pessoa tem.
  • Convidar o cliente a ver a  si mesmo e perguntar:

Quando você olha para você, o que vê?

Se você estivesse dando um conselho a si mesmo agora, o que falaria?

O que podemos fazer nesse momento de sua vida então?

Estes são alguns exemplos utilizados na EM que procuram trabalhar a ambivalência e a motivação para a mudança.

 

Como comunicar a prevenção: Motivar para a Mudança

O usuário de substâncias é sempre um cliente desafiador frente a um profissional, sobretudo na adolescência. Vinte anos de pesquisa revelou que a maior proporção de bebedores pesados e pessoas com transtornos relacionados ao álcool e outras substâncias engloba mais de 90% de todos os estudantes universitários matriculados, a maioria destes, entre as idades de 18 e 21 anos. Bebedores de álcool são mais propensos a terem sido insultados por terceiros; confrontados com investidas sexuais não desejadas; vítimas de estupro ou agressão sexual; envolvimento em brigas e discussões;  tiveram seus bens danificados; atividade sexual não planejada; apresentaram maior suscetibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis; maior risco de serem vítimas de ferimentos fatais ou de provocarem ferimentos fatais; bem como, dirigirem embriagados.

Vale destacar que neste contexto, os jovens sempre irão interagir com pessoas que estarão preocupadas com sua saúde e integridade. Estas pessoas, na maioria das vezes, não serão especialistas em Dependência Química, mas por outro lado, sabemos que pessoas com pouco ou nenhum conhecimento na área podem impactar positivamente estes jovens. Daí a importância do profissional seja no contexto da educação, saúde,  empresarial, social ou da justiça atentar-se a postura e a maneira de acolher a pessoa, que involuntariamente ou por procura espontânea, procura ajuda: o que varia é a forma de se expressar.

A questão é como causar este impacto positivo?

Não é uma pergunta simples de ser respondida, mas a forma pode ser fácil desde que saibamos ouvir e expressar real aceitação e preocupação com a pessoa que está a nossa frente, ao valorizar suas potencialidades, apoiar sua autonomia e enfatizar seus valores. A Entrevista Motivacional é uma abordagem e aconselhamento que envolve escuta e comunicação efetiva entre aquele que almeja ajudar e aquele que precisa ser orientado.

As premissas básicas que auxiliam o profissional na prática da EM são:

  • Empatia, congruência, espírito colaborativo são fundamentais para o aumento da motivação para a mudança;
  • Adoção de um estilo calmo e eliciador;
  • Considera a ambivalência natural: a motivação para a mudança deve ser eliciada no cliente e não imposta;
  • O relacionamento cliente-profissional deve ser colaborativo e amigável;
  • A resistência pode ser reduzida ou aumentada pelas interações interpessoais: o profissional é direcional em auxiliar o cliente a examinar e resolver sua ambivalência;
  • Os clientes são responsáveis pelo seu progresso: o profissional ­atua como um facilitador no processo, estimulando e apoiando a auto eficácia do cliente.

Drogas e darknet: perspectivas para aplicação, pesquisa e política OEDT, Europol, Lisboa.

Este relatório conjunto, elaborado pelo OEDT e pela Europol, considera as últimas descobertas da pesquisa internacional, dados empíricos novos e informações para esclarecer o funcionamento dos mercados de darknet e como eles se relacionam com o comportamento criminoso. A publicação adota um foco da UE no que é um fenômeno global. É abrangente, acessível e orientado para as políticas, com o objetivo de facilitar as discussões  sobre como responder aos mercados de drogas darknet, ao mesmo tempo em que identifica áreas prioritárias que requerem atenção e onde as atividades provavelmente terão o maior impacto.

Acesse o link para conferir o material na integra!

http://www.emcdda.europa.eu/publications/joint-publications/drugs-and-the-darknet

O que é Deep Web e Dark Net?

Deep web é uma parte da Internet que não é indexada pelos motores de busca, o que significa que se você quiser acessar esses sites, você deve ir diretamente a eles em vez de pesquisar. A deep web enorme, precisamente porque o conteúdo da Internet é muito grande para os motores de busca cobrirem tudo, e embora este conteúdo seja, de alguma forma, “secreto” nem sempre é totalmente ruim. Por exemplo, existem sites que servem para denunciar casos de violência doméstica, opressão do governo, queixas anônimas e privadas, etc. Ela também é usada ​​pelos governos para operações secretas da justiça, empresas e grandes corporações.

darknet é uma parte não indexada e restrita da deep web. Para acessar, é necessário um software e autenticação. Esta parte da web é realmente mais escondida e possui um enorme mercado ilegal: pornografia infantil, serviços de hackers, assassinos, tortura, jogos de azar e drogas, sendo este último o tema mais prolífico.

O termo darknet é muitas vezes confundido como sinônimo da deep web. A verdade é que estes nomes devem ser usados para coisas diferentes, dado que a darknet é apenas uma pequena parte da deep web, onde tudo é anônimo e está sempre criptografado, você não pode entrar com os navegadores normais. Alguns chamam onionland ou “a terra das cebolas”, pois os sites têm um domínio que termina em .onion.

Metanálise com evidências de 25 anos de estudos empíricos sobre Entrevista Motivacional

Outro estudo recente investigou a contribuição que a entrevista motivacional tem sobre os resultados de aconselhamento e como a ETM se compara com outras intervenções. Um total de 119 estudos foram submetidos a uma meta-análise, incluindo uso de substâncias (tabaco, álcool, drogas, maconha), comportamentos relacionados à saúde (dieta, exercício, sexo seguro), apostas e engajamento em tratamento. Em função dos grupos de comparação, a ETM produziu resultados estatisticamente significativos e duráveis na gama de pequenos efeitos (média g = 0,28). Quando comparada com tratamentos específicos, a ETM produziu resultados não significativos (média g = 0,09). ETM foi robusta em feedback (Motivational Enhancement Therapy [MET]), tempo de entrega, manualização, modo de entrega (grupal versus individual) e etnia .

 

Lundahl BW, Kunz C, Brownell C,Tollefson D, Burke BL. A Meta-Analysis of Motivational Interviewing: Twenty-Five Years of Empirical Studies. Research on Social Work Practice 2010, 20(2):137 – 160.

 

Metanálise de Entrevista Motivacional em cuidados médicos

Uma metanálise recente avaliou 48 estudos (9618 participantes) em ambientes de assistência médica. O efeito global mostrou uma vantagem estatisticamente significativa para ETM: Odd ratio = 1,55 (CI: 1,40-1,71), z = 8,67, p <0,001. A ETM mostrou-se particularmente promissora em áreas como tratamento do HIV, odontologia, prevenção da mortalidade, peso corporal, consumo de álcool e tabaco, comportamento sedentário, auto-monitoramento e confiança na mudança. A ETM  não foi particularmente eficaz com transtorno alimentar e em alguns desfechos médicos relacionados a freqüência cardíaca.

 

Lundahl B, Moleni T, Burke BL, Butters R, Tollefson D, Butler C, Rollnick S.  Motivational interviewing in medical care settings: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials .  Patient Education and Counseling 2013, 93:157–168.

 

Como eu faço Entrevista Motivacional?

Para atuação na Entrevista Motivacional se faz fundamental a compreensão dos conceitos que defino como os pilares da ETM :

  • 1-Ambivalência
  • 2-Espirito da Entrevista Motivacional
  • 3-Metodologia: PARR
  • 4-Processos

 

  • 1 -Ambivalência

As pessoas que se encontram em meio a problemas sejam de saúde, profissional, social, de relacionamentos, com a justiça, entre outros,  chegam ao aconselhamento com motivações flutuantes e conflitantes. Ao mesmo tempo querem e não querem mudar. Esse conflito, que pode ser chamado de ambivalência, permeia principalmente as primeiras sessões do tratamento e parece ter um potencial especial para manter as pessoas aprisionadas e criar estresse. A pessoa é, ao mesmo tempo, atraída e repelida por um único objeto. O efeito resultante é uma característica clássica do conflito aproximação-evitação.

A ambivalência é um estado mental no qual a pessoa tem sentimentos coexistentes e conflitantes a respeito de alguma coisa. Uma postura de vulnerabilidade pode transformar-se em desafio e voltar à vulnerabilidade em poucos minutos.

Como esse conflito se desenvolve? Um ingrediente importante é o apego ao comportamento, o que torna mais difícil resistir ou afastar-se dele.

Um profissional que escuta uma manifestação comum de ambivalência do tipo “eu quero, mas não quero” poderia pressupor a existência de algo errado com o julgamento ou com o estado mental do cliente. Sua incerteza na maioria das vezes é vista como anormal, inaceitável ou como sinal de pouca motivação, o que não é a realidade. Em vez de ver a ambivalência como um “mau sinal”, é frutífero entendê-la como normal, aceitável e compreensível.

A EM considera a ambivalência como fonte de informações significativas que podem ser usadas produtivamente na terapia. A ambivalência se bem trabalhada, dá início ao processo de mudança. Desta forma, cabe ao profissional a tarefa de ajudar o cliente a identificar e liberar suas próprias forças motivacionais, afim de que possa ouvir mais a si mesmo. O profissional deve atuar como uma plataforma de petróleo, extraindo o que de mais rico e profundo há no cliente. Para a EM, o estilo do profissional em sua relação com o cliente é fundamental para aumentar a motivação para a mudança.

 

 

  • 2-O Espirito da Entrevista Motivacional

Espirito ETM_ varias

A fim de facilitar ainda mais a compreensão da Entrevista Motivacional , Miller e Rollnick elaboram o “Espírito da EM”, que envolve um estilo colaborativo, evocativo e com respeito à autonomia do cliente, a destacar: Parceria ; Aceitação; Evocação e Compaixão.

  1. Parceria:

 

A EM é feita “com” e não “para” a pessoa. Trata-se de um elemento que reforça a necessidade do terapeuta interagir e se interessar pela história e evolução do cliente e não se ater a uma conduta prescritiva. Nesta perspectiva, a EM convida o profissional a construir em seu trabalho uma postura equilibrada na tensão entre seguir o indivíduo e também, guiá-lo. O profissional e o cliente procuram saídas juntos.

 

  1. Aceitação:

Para a compreensão da EM, a aceitação tem forte influência nas obras de Carl Rogers e propõe que o profissional se interesse e valorize o potencial de cada indivíduo. Aceitar a pessoa não significa necessariamente que o profissional aprova ou endossa o status quo ou as ações do cliente, ou seja, se o profissional aprova ou reprova é irrelevante. A aceitação consiste no reconhecimento do valor absoluto que o cliente dá aos seus argumentos e razões, na empatia acurada, no suporte à autonomia do cliente e no reforçamento positivo de falas, e posturas em prol da saúde e integridade de vida do cliente.

Não cabe ao profissional o julgamento, tampouco a imposição ou influência de suas próprias ideias. O julgamento, bem como outras abordagens, faz com que o profissional não escute o cliente e sim, a si mesmo (aos seus próprios valores, percepções do que seja certo ou errado, melhor ou pior para o outro, suposições e/ou interpretações). Este processo faz com que o profissional atue com uma intervenção prescritiva. A proposta da EM é que, no final das contas, o cliente escute a si mesmo e se dê conta de suas motivações e ambivalências, assumindo uma decisão perante seu comportamento de risco.

Para que o processo de aceitação se fortaleça, os autores sugerem ainda a necessidade de fortalecer o apoio à autonomia, na medida em que o profissional respeita a autonomia do cliente e reconhece sua capacidade de direcionar a própria vida. Para alguns profissionais este movimento pode ser difícil de ser feito, quando o cliente pode fazer escolhas e tomar atitudes que, na visão do profissional, não corresponderia ao que haveria de melhor para o seu cliente. Mesmo motivado por boas intenções, agindo desta forma o profissional corre o risco de induzir, coagir ou controlar o cliente, desconstruindo assim, o processo de aceitação.

Finalmente, para a EM a aceitação se completa quando há o movimento de afirmação pelo profissional, quando este busca reconhecer os pontos fortes da pessoa e reforçá-los de forma positiva.

  1. Evocação:

 

Evocar as forças que motivam a pessoa, ao invés de persuadir. Evocar quer dizer lembrar, recordar. Motivação vem de motivo, que quer dizer aquilo que pode fazer mover, motor que causa ou determina alguma coisa. A motivação é um recurso interno. A evocação traz a proposta de ajudar o cliente a se recordar de elementos próprios e únicos que podem se tornar motivos para que haja uma mudança de comportamento.

A mensagem implícita é “Você tem o que você precisa para a mudança e juntos, iremos encontrá-la”. Dentro dessa perspectiva é particularmente importante focar na compreensão das forças da pessoa e em seus recursos invés de focar em seus déficits.

 

  1. Compaixão:

A compaixão pode ser compreendida como um meio de tentar fazer o profissional se aproximar mais verdadeiramente da pessoa e não do problema dela. Uma vez que o profissional consegue ter acesso à unicidade de cada um, torna-se possível uma melhor compreensão das complexidades individuais que dificultam as mudanças de comportamento. É um ato de aproximar-se para verdadeiramente ajudar. Os autores reforçam o convite para “colocar a mão na massa” JUNTO com a pessoa e não PELA pessoa. Por isso eles também propõem a parceria.

 

 

  • Metodologia

Embora a reflexão seja a estratégia-chave na EM, é importante salientar que a metodologia não consiste apenas no uso de reflexões. A metodologia consiste na utilização de reflexões, reforços positivos, resumos e perguntas abertas em uma relação de no mínimo 2:1, ou seja, a utilização de cada duas estratégias para cada pergunta, com preferência das reflexões. Nesta relação, para cada vez que o profissional escolher fazer uma pergunta aberta, as outras duas estratégias deverão ser, preferencialmente, qualquer das outras disponíveis. Neste contexto, as perguntas são utilizadas em menor proporção porque espera-se que todas as estratégias possam gerar mais reflexão no cliente. A própria reflexão do cliente possibilita que ele fale mais do que o profissional e tenha uma oportunidade de ouvir a si mesmo – muito mais do que ao profissional – de descobrir coisas por si mesmo e, ao final, perceber que é capaz de discernir, fazer escolhas, tomar decisões e agir. Mesmo com estas possibilidades de estratégias a serem utilizadas por parte do profissional, o protagonismo deve ser sempre do próprio cliente.

Veja a seguir o acrônimo de PARR (em inglês OARS):

 
P: perguntas abertas.

A: afirmar – reforço positivo.

R: refletir.

R: resumo.

 

 

  • Os Processos da Entrevista Motivacional

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Em suas duas primeiras edições, os autores descreveram que a EM poderia ser dividida em duas fazes. A Fase 1, consistiu na construção da motivação para a mudança, partindo da construção que o cliente se dá para a realização da mudança em questão. Já a Fase 2, envolveria o fortalecimento do compromisso com a mudança, e o desenvolvimento de um plano de ação para a realização desta mudança. Após propostas estas fases, contudo, os autores reconheceram sua validade enquanto orientação, mas também reconheceram-na incompleta, porque no manejo clínico perceberam que este processo não acontecia de forma linear e sim, circular. Desta forma, a perspectiva linear em forma de fases, cedeu lugar à real perspectiva construída a partir de processos. A partir deste enfoque, a EM atualmente é então descrita na confluência de quatro processos que são: Engajamento , Foco, Evocação e Planejamento .

 

  1. Engajamento

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O engajamento consiste na construção de uma aliança terapêutica. Quando o profissional consegue estabelecer uma boa aliança terapêutica com o cliente, há mais engajamento no tratamento, possibilitando que haja uma maior adesão ao mesmo. Aqui, o engajamento é definido como um processo de construção em uma relação de ajuda, que busca uma solução para o problema apontado. Esta relação é pautada no respeito e na confiança mútuos. O cliente engajado não é passivo ao seu próprio processo de mudança. Alguns fatores podem influenciar no engajamento, tais como: identificar os desejos e objetivos do cliente; avaliar junto com o cliente o grau de importância dado aos seus objetivos; acolher o cliente de forma positiva, possibilitando que o mesmo se sinta valorizado e respeitado; trabalhar suas expectativas; oferecer esperança.

  1. Foco

foco

A construção do foco está no desenvolvimento e manutenção da direção específica da conversa para a mudança. O cliente durante o atendimento pode estar muitas vezes envolto em uma série de acontecimentos e sua tendência pode ser a de se concentrar nos sintomas ou nos fatos mais recentes que o levaram até ali, subvalorizando ou até mesmo desconhecendo o fator “causa”. Cabe ao profissional se preocupar em manter o foco durante o atendimento, para que a conversa não se perca no meio do caminho. Manter o foco na conversa ajuda na elaboração e no resgate do sentido, bem como possibilita a construção de uma direção para a mudança.

  1. Evocação

evocacao

Evocar consiste no movimento do profissional de extrair da pessoa os próprios sentimentos concernentes ao propósito de mudança. Esta é a essência da EM. Todas as conclusões ou caminhos a serem percorridos, devem ser uma conclusão que o cliente alcança sozinho, com o auxílio do profissional e não com a sua indução. A resposta para as questões deve ao final, sair da boca do cliente, como se fosse realmente uma grande descoberta! Uma perspectiva de um profissional especialista ou perito, recomendaria que este deveria identificar um problema, avaliar o que poderia estar sendo feito de errado e orientar o que deve ser feito para reparar ou consertar o que está errado. Esta visão é oposta à perspectiva da evocação. Aqui, cabe ao profissional aproveitar as próprias ideias do cliente para que este descubra como e por que pretende agir de determinada forma e seja verdadeiramente ativo em seu próprio processo. Vale ressaltar que o modelo do especialista ou perito é indicado em muitos manejos clínicos como, por exemplo, na realização de uma cirurgia. Porém, os autores salientam que, para a EM, este manejo é contra-indicado em processos de transformação pessoal.

  1. Planejamento

planejamento-1

O planejamento está na construção do movimento de “quando” e “como” mudar. Tomando-se como base os estágios de prontidão para a mudança, há um momento em que o cliente diminui os seus questionamentos e começa a se preparar para uma tomada de atitude. Neste momento, o planejamento é fundamental, uma vez que desenvolve a formulação de um plano de ação específico, podendo encorajar o cliente a aumentar seu compromisso com a mudança. A construção do planejamento não deve ser prescrito e sim, evocado do cliente; da mesma forma, não deve ser pontual e deve ser sempre revisto. Quando há ensaios rumo ao movimento para a mudança, o planejamento torna o cliente mais seguro, uma vez que promove sentimentos de auto-eficácia pautados na sua autonomia e nas suas tomadas de decisões.

 

Depoimentos alunos Módulo Intermediário – São Paulo/Setembro 2017

Virginia Paim, Fisioterapeuta

Que bom ! ( Pontos positivos )

Metodologia empregada;

Clareza e autenticidade da treinadora;

Apoio e suporte da Janaina;

Flexibilidade no processo de ensinar e aprender.

Que pena! ( Pontos Negativos )

Nada a declarar.

Que tal! … ( Sugestões )

O treinamento superou totalmente todas as minhas expectativas. A ETM é para mim uma importante ferramenta de ajuda para a mudança de comportamento e transformação pessoal, que empodera tanto o cliente quanto o profissional.

Acredito que sua aplicação causará um importante impacto tanto na minha vida profissional, quanto pessoal.

 

 

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Eduardo Junqueira, Psicólogo

Que bom ! ( Pontos positivos )

Integração dos colegas, leque de informações. Slide bem explicativo , que facilita a revisão.

Que pena! ( Pontos Negativos )

Quantidade de conteúdo x tempo.

Que tal! … ( Sugestões )

Algum outro encontro ou modulo só de prática.

 

 

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João Henrique, Nutricionista

Que bom ! ( Pontos positivos )

Praticas, feedback, resumos e integração entre conteúdos.

Que pena! ( Pontos Negativos )

Conteúdo denso (o que é bom), mas, se torna cansativo ( estou ambivalente )

Que tal! … ( Sugestões )

Fazer 3 encontros ao invés de 2.

Recomendo a todos colegas, nutris, mudou minha forma de atendimento. Pacientes + engajados.

 

 

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Gabriela Gorenstein, Psicóloga

Que bom ! ( Pontos positivos )

Bastante conteúdo, apresentações, exercícios práticos, estratégias importantes.

Que pena! ( Pontos Negativos )

Bastante conteúdo

Que tal! … ( Sugestões )

Colocar mesas para a gente escrever.

 

 

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Diane Sousa Sales, Enfermeira

Que bom ! ( Pontos positivos )

Aumento do conhecimento

Estratégias diferentes ( Baralho )

Que pena! ( Pontos Negativos )

Muito conteúdo

Que tal! … ( Sugestões )

Enviar as apostilas uma semana antes porque a temática é interessante e o método prático essencial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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