Ouvir Bem: A Arte da Compreensão Empática



Você é um bom ouvinte? Quão bem você realmente conhece as pessoas ao seu redor? A capacidade de compreensão empática é intrínseca em nossas mentes, mas sua expressão plena envolve habilidades de escuta particulares que raramente são aprendidas através da experiência comum. Por meio de explicações claras, exemplos específicos e exercícios práticos, o Dr. Miller oferece um processo passo a passo para desenvolver sua habilidade na escuta empática. Com base sólida em sessenta anos de pesquisa científica, essas habilidades de comunicação não se limitam aos profissionais e podem ser aprendidas e aplicadas em sua vida cotidiana. Em vez de assumir que você sabe o significado daquilo que acha que ouviu, a escuta empática permite que você desenvolva uma compreensão mais precisa e evite a falta de comunicação. A compreensão empática pode ajudar a aprofundar os relacionamentos pessoais, aliviar conflitos, comunicar-se entre as diferenças e promover mudanças positivas. O autor também discute habilidades para se expressar claramente e para fortalecer relacionamentos e amizades. Por meio da compreensão empática, você tem acesso à experiência de vida muito além da sua, e com o tempo, ouvir bem e profundamente se torna um modo de ser, promovendo uma aceitação compassiva e paciente das fragilidades humanas – as dos outros e as suas.
Confira!
Referência: Listening Well: The Art of Empathic Understanding
William R. Miller
Idioma: Inglês    
Ano: 2018
Wipf & Stock

Entrevista motivacional e balança decisória: respostas contrastantes à ambivalência do cliente

Contexto: Uma recomendação nas descrições originais de entrevista motivacional (EM) é “explorar a ambivalência”. Procedimentos contrastantes para fazer isso foram esclarecidos por meio da evolução da mesma.

Objetivos: Este artigo descreve dois métodos conceitualmente distintos para responder à ambivalência na EM: balança decisória (DB) e evocação da conversa de mudança, e analisa as evidências empíricas para recomendar quando cada procedimento é apropriado (e inadequado) na prática clínica.

Método: os autores resumem os resultados da pesquisa baseados em resultados clínicos para examinar como essas duas intervenções impactam a resolução da ambivalência no cliente.

Resultados: Com pessoas ambivalentes, uma intervenção de DB tende a diminuir o compromisso com a mudança, enquanto a evocação (um elemento-chave do EM) promove a mudança. Quando uma pessoa já tomou a decisão de mudar, a evocação é desnecessária e pode impedir a mudança, enquanto o DB pode fortalecer ainda mais o compromisso.

Conclusões: DB é um procedimento apropriado quando o clínico deseja manter a neutralidade e não favorecer a resolução da ambivalência em qualquer direção particular. A evocação é apropriada quando o clínico pretende ajudar os clientes a resolver a ambivalência na direção da mudança.

Referência: William R Miller, Gary S Rose . Motivational interviewing and decisional balance: contrasting responses to client ambivalence. Psychother Res 2016;26(2):220-40.  doi: 10.1080/10503307.2014.954154. 

Comparação de Entrevista Motivacional com Terapia de Aceitação e Compromisso: Uma revisão conceitual e clínica

 

Contexto: A Entrevista Motivacional (EM) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são duas terapias emergentes que se concentram no compromisso com a mudança de comportamento.

Objetivo: Fornecer a primeira revisão sistemática da EM com a ACT.

MÉTODO: Foi realizada uma comparação sistemática da EM e ACT em nível conceitual, com foco em suas bases filosóficas e teóricas, e em nível clínico, com foco na relação terapêutica, uso da linguagem e uso de valores na terapia.

RESULTADOS: Conceitualmente, EMI e ACT têm bases filosóficas distintas. A base teórica da EM se concentra no conteúdo da linguagem, enquanto a base teórica do ACT se concentra na aceitação e  consequente experimentação de  pensamentos, sentimentos e sensações decorrentes dessa aceitação. Clinicamente, o ACT e a EM têm abordagens distintas para o relacionamento terapêutico, focos fundamentalmente diferentes na linguagem do cliente e diferentes usos dos valores do cliente para motivar a mudança de comportamento.

CONCLUSÕES: Apesar de suas diferenças conceituais e clínicas, a EM e a ACT são intervenções complementares. As colaborações entre os pesquisadores da EM e da ACT podem produzir uma um campo fértil para pesquisa sobre processos centrais e resultados clínicos.

Referência:

Bricker, J. & Tollison, S. (2011). Comparison of Motivational Interviewing with Acceptance and Commitment Therapy: A conceptual and clinical review. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 39, 541–559.

Aumento da Disseminação da Entrevista Motivacional

 

A entrevista motivacional (EM) é a única abordagem padronizada e baseada em evidências para facilitar a mudança de comportamento. A estrutura da EM inclui quatro etapas: 1.) Engajar o cliente; 2.) Focar em uma área de mudança de comportamento; 3.) Evocar motivação e comprometimento com a mudança; e 4.) Planejar as etapas para a mudança.

Para entender a EM é importante revisitar suas raízes. Antes da EM ser formalmente apresentada, seu fundador, Dr. William Miller, conduziu uma meta-análise sobre abordagens e resultados para o tratamento do alcoolismo (na meta-análise, os resultados de muitos estudos são sistematicamente combinados e comparados). Neste estudo, Miller ordenou tratamentos para problemas de álcool por resultado. Ele descobriu que abordagens de tratamento que eram ativas e empáticas eram mais eficazes, enquanto abordagens mais passivas, por exemplo, filmes, palestras e abordagens de confronto, eram menos eficazes. Curiosamente, o estudo constatou que as abordagens de 12 passos foram classificadas em  370 e a 380 lugares, respectivamente, dos 48 avaliados.

O momento eureca de Miller aconteceu durante um período sabático na Noruega, quando ele conversou com um grupo de jovens psicólogos sobre o tratamento comportamental de pacientes com problemas de álcool. Durante uma demonstração de sua abordagem de tratamento, ele foi convidado a descrever a maneira como conduzia sua intervenção de forma a propiciar que o cliente elaborasse seus objetivos e pensamentos. Miller percebeu que sua abordagem era marcadamente diferente das abordagens padrão de tratamento na época.

 

Em 1983, Miller publicou um artigo descrevendo essa nova e promissora abordagem para o tratamento de bebedores problemáticos. Então, em 1991, Miller se uniu ao Reino Unido (Reino Unido), com psicólogo clínico do Serviço Nacional de Saúde, Dr. Stephen Rollnick. Elaborando o trabalho inicial de Miller, os dois descreveram os fundamentos e métodos desta nova abordagem.

 

Disseminação rápida em 25 anos: Atualmente, a EM é usada em várias situações em todo o mundo, incluindo reabilitação de álcool e drogas, justiça e liberdade condicional, saúde comportamental, treinamento para pais e pré-natal – e, é claro, cuidados com a saúde. O uso da EM nos cuidados de saúde tem sido apoiado por dezenas de estudos que documentam seu valor para envolver e auxiliar pacientes com desafios difíceis no gerenciamento do estilo de vida e no autocuidado com doenças – que, assim como pacientes com problemas de abuso de substâncias, podem ter se acostumado a receber informações e censura sobre o seu comportamento pelas pessoas em suas vidas.

 

Embora a EM tenha sido particularmente popular entre os profissionais da área de saúde, há de se considerar leigos e profissionais – com ou sem treinamento formal – afetam os resultados da EM na adesão aos padrões de treinamento, avaliação e prática, que tem se mostrado inconsistentes. Neste contexto, a EM pode ser vista apenas como outra ferramenta (embora baseada em evidências) no kit de ferramentas de um profissional de saúde; como uma técnica que pode ser dominada após um workshop de treinamento de dois ou três dias;  ou um conjunto de habilidades inato para alguns profissionais (mitos que podem afetar diretamente o resultado nos estudos).

 

 

Em nível organizacional, o uso de treinamento que não se encaixam no MI ou na complexidade das habilidades envolvidas, geralmente não atendem às expectativas. De qualquer forma, a menor eficácia do treinamento (seja medida usando ferramentas objetivas e validadas) o impacto do treinamento ainda é  desconhecido. Várias organizações investiram em programas de desenvolvimento de treinamento de EM, trazendo profissionais associados ao Motivational Interviewing Network of Trainers (MINT) para formar parceria com a equipe clínica e na maioria dos casos, quando os resultados são medidos, os resultados são alcançados.

Em quase todas os estudos, a EM percorreu um longo caminho desde seu começo humilde, há mais de 25 anos, e você encontrará algumas descobertas e fatos mais interessantes sobre a EM  neste infográfico abaixo.

 

Referência:

https://healthsciences.org/Infographic-Motivational-Interviewing-Adds-Up

As contribuições da Entrevista Motivacional na Educação

 

 

 

Duas razoes que explicam por que a EM ajuda em problemas comportamentais com estudantes:

  • Trabalha simultaneamente a mudança do comportamento, dando espaço as necessidades individuais do aluno.
  • É particularmente adequada para pensar problemas. Contrário às crenças populares, descobriu-se que problemas realmente difíceis poderiam ser enfrentados usando um estilo mais suave, livre de culpas, rotulação e indução de medo. Professores e outros funcionários da escola enfrentam um desafio muito semelhante.

Veja abaixo orientações para atuar no Planejamento de Mudança com estudantes:

  1. Demonstração aceitação frente as oscilações da ambivalência;
  2. Ao surgir falas de mudança, reforçar e refletir;
  3. Evitar se adiantar em relação a prontidão para a mudança dos estudantes;
  4. Evocar a prontidão para a mudança e responder usando as habilidades essenciais da Entrevista Motivacional, em particular o reforço positivo;
  5. Fazer perguntas abertas sobre competências, escolhas e decisões;
  6. Reunir opções e incentivar a apropriação de uma decisão/solução;
  7. Evocar e reforçar o comprometimento com a mudança;
  8. Encorajar os estudantes a compartilhar sua decisão com outros e manter um registro de sucessos alcançados;
  9. Ajude os estudantes a visualizar lapsos de comportamento como oportunidades de aprendizagem;
  10. Ajudar os estudantes a manejar antecipadamente as barreiras ao sucesso.

Fonte: ¨Motivational Interviewing in Schools: Conversations to Improve Behavior and Learning (Applications of Motivational Interviewing) ¨

Stephen Rollnick,‎ Sebastian G. Kaplan &‎ Richard Rutschman

Entrevista com a Dra Neliana Buzi Figlie

Confira matéria com a Dra Neliana Figlie sobre Entrevista Motivacional no tratamento da dependência química publicada no Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas.

 

Acesse o link: http://mds.gov.br/obid/entrevistas/neliana-buzi-figlie

Os Estilos de Comunicação

Acompanhar, direcionar e orientar são três estilos usados na vida cotidiana, assim como na prática clinica. À medida que os problemas surgem, usamos os referidos estilos. Uma maneira de pensar sobre esses três estilos é imagina-los ao longo de um continuum, com o acompanhamento em uma extremidade, o direcionamento na outra e a orientação no meio sendo que você pode optar por utilizar o estilo adequado quando necessário.

Acompanhar: Neste estilo o que predomina é a escuta e o terapeuta acompanha o cliente em seu rumo. O acompanhamento possibilita que o cliente sinta-se mais compreendido, porque demonstra interesse e preocupação por parte do terapeuta. Com relação à mudança de comportamento, o estilo de acompanhar comunica: “Não vou mudar ou forçar você. Vou deixar você resolver isso em seu próprio tempo e em seu próprio ritmo”.

Direcionar: Encontramos como sinônimo de “direcionar”, os termos “gerenciar” ou “liderar”. O direcionamento implica em uma desigualdade no relacionamento, por partir do pressuposto de que, em uma relação, alguém tem mais conhecimento, autoridade, experiência ou poder para poder guiar. No atendimento, o cliente muitas vezes espera do profissional este tipo de orientação, reforçando a ideia de que uma prática totalmente não-diretiva pode deixar o cliente confuso. Com relação à mudança de comportamento, o estilo de direcionar comunica: “Sei como você pode resolver esse problema. Sei o que você deve fazer”. Em várias situações, o cliente poderá depender de decisões, conselhos e ações do profissional, desde que o mesmo adote a postura de sugerir, deixando a decisão na responsabilidade do cliente e não assumindo a responsabilidade pela mudança.

Orientar: O orientador tem o papel de ajudar o cliente a encontrar o caminho. É o cliente quem sabe onde quer ir, porém, o orientador pode auxiliá-lo a chegar lá. Um bom orientador sabe o que é possível fazer e pode oferecer alternativas. Com relação à mudança de comportamento, o estilo de orientar comunica: “Posso ajudá-lo a resolver isso por sua própria conta”.

Referencia: ROLLNICK, Stephen. Entrevista Motivacional no cuidado da saúde: ajudando pacientes a mudar o comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2009.