” Coaching Athletes to Be Their Best: Motivational Interviewing in Sports”

 

” Coaching Athletes to Be Their Best: Motivational Interviewing in Sports”

Stephen RollnickJonathan FaderJeff Breckon, and Theresa B. Moyers

Idioma: Inglês      Ano: 2019

Guilford Press

Para se mensurar um grande treinador é preciso avaliar se ele está extraindo o  melhor dos atletas. Este é o primeiro guia de Entrevista Motivacional (EM) dirigido para treinadores, psicólogos do esporte, especialistas em treinamento e reabilitação entre outros – uma abordagem que comprovadamente aproveita o poder da conversação para construir relacionamentos e auto confiança. O livro revela porque as formas convencionais de dar feedback e resolver conflitos geralmente são contraproducentes e apresenta métodos testados e aprovados para ajudar os atletas a prosperar. Os principais psicólogos do esporte e especialistas em MI – incluindo  Stephen Rollnick – fornecem estratégias eficazes para estimular a motivação, promover a apropriação de objetivos pessoais, resolver problemas de comportamento dentro e fora do campo, aprimorar o desempenho e melhorar o trabalho em equipe. Estão incluídos exemplos passo a passo e histórias inspiradoras de treinadores. Os compradores têm acesso a uma página da Web na qual podem baixar e imprimir as folhas de referência rápida reproduzíveis do livro sobre as principais habilidades de EM.

Aumento da Disseminação da Entrevista Motivacional

 

A entrevista motivacional (EM) é a única abordagem padronizada e baseada em evidências para facilitar a mudança de comportamento. A estrutura da EM inclui quatro etapas: 1.) Engajar o cliente; 2.) Focar em uma área de mudança de comportamento; 3.) Evocar motivação e comprometimento com a mudança; e 4.) Planejar as etapas para a mudança.

Para entender a EM é importante revisitar suas raízes. Antes da EM ser formalmente apresentada, seu fundador, Dr. William Miller, conduziu uma meta-análise sobre abordagens e resultados para o tratamento do alcoolismo (na meta-análise, os resultados de muitos estudos são sistematicamente combinados e comparados). Neste estudo, Miller ordenou tratamentos para problemas de álcool por resultado. Ele descobriu que abordagens de tratamento que eram ativas e empáticas eram mais eficazes, enquanto abordagens mais passivas, por exemplo, filmes, palestras e abordagens de confronto, eram menos eficazes. Curiosamente, o estudo constatou que as abordagens de 12 passos foram classificadas em  370 e a 380 lugares, respectivamente, dos 48 avaliados.

O momento eureca de Miller aconteceu durante um período sabático na Noruega, quando ele conversou com um grupo de jovens psicólogos sobre o tratamento comportamental de pacientes com problemas de álcool. Durante uma demonstração de sua abordagem de tratamento, ele foi convidado a descrever a maneira como conduzia sua intervenção de forma a propiciar que o cliente elaborasse seus objetivos e pensamentos. Miller percebeu que sua abordagem era marcadamente diferente das abordagens padrão de tratamento na época.

 

Em 1983, Miller publicou um artigo descrevendo essa nova e promissora abordagem para o tratamento de bebedores problemáticos. Então, em 1991, Miller se uniu ao Reino Unido (Reino Unido), com psicólogo clínico do Serviço Nacional de Saúde, Dr. Stephen Rollnick. Elaborando o trabalho inicial de Miller, os dois descreveram os fundamentos e métodos desta nova abordagem.

 

Disseminação rápida em 25 anos: Atualmente, a EM é usada em várias situações em todo o mundo, incluindo reabilitação de álcool e drogas, justiça e liberdade condicional, saúde comportamental, treinamento para pais e pré-natal – e, é claro, cuidados com a saúde. O uso da EM nos cuidados de saúde tem sido apoiado por dezenas de estudos que documentam seu valor para envolver e auxiliar pacientes com desafios difíceis no gerenciamento do estilo de vida e no autocuidado com doenças – que, assim como pacientes com problemas de abuso de substâncias, podem ter se acostumado a receber informações e censura sobre o seu comportamento pelas pessoas em suas vidas.

 

Embora a EM tenha sido particularmente popular entre os profissionais da área de saúde, há de se considerar leigos e profissionais – com ou sem treinamento formal – afetam os resultados da EM na adesão aos padrões de treinamento, avaliação e prática, que tem se mostrado inconsistentes. Neste contexto, a EM pode ser vista apenas como outra ferramenta (embora baseada em evidências) no kit de ferramentas de um profissional de saúde; como uma técnica que pode ser dominada após um workshop de treinamento de dois ou três dias;  ou um conjunto de habilidades inato para alguns profissionais (mitos que podem afetar diretamente o resultado nos estudos).

 

 

Em nível organizacional, o uso de treinamento que não se encaixam no MI ou na complexidade das habilidades envolvidas, geralmente não atendem às expectativas. De qualquer forma, a menor eficácia do treinamento (seja medida usando ferramentas objetivas e validadas) o impacto do treinamento ainda é  desconhecido. Várias organizações investiram em programas de desenvolvimento de treinamento de EM, trazendo profissionais associados ao Motivational Interviewing Network of Trainers (MINT) para formar parceria com a equipe clínica e na maioria dos casos, quando os resultados são medidos, os resultados são alcançados.

Em quase todas os estudos, a EM percorreu um longo caminho desde seu começo humilde, há mais de 25 anos, e você encontrará algumas descobertas e fatos mais interessantes sobre a EM  neste infográfico abaixo.

 

Referência:

https://healthsciences.org/Infographic-Motivational-Interviewing-Adds-Up

Terapia Comportamental Dialética e a Entrevista Motivacional: convergência conceitual, compatibilidade e estratégias para integração

 

A terapia comportamental dialética (DBT) e a entrevista motivacional (EM) são duas intervenções psicossociais amplamente usadas e eficazes. Um número imenso e crescente de estudos examina DBT, EM ou adaptações dessas abordagens em diversos contextos de tratamento e em várias populações clínicas. Como o DBT e a EM estão em alta demanda, é provável que profissionais encontrem uma ou ambas abordagens ao longo de suas carreiras. Embora o EM e a DBT tenham evoluído inicialmente em contextos distintos para diferentes populações, essas abordagens compartilham vários princípios fundamentais comuns. Cada uma fornece estratégias distintas e complementares para aumentar a motivação e a capacidade de mudança dos clientes. Para alguns, uma aplicação integrada ou sequenciada da EM e DBT pode aprimorar o atendimento ao cliente. O presente artigo destaca áreas de divergências, convergências e oportunidades de integração e oferece dicas práticas para aplicar DBT e EM em conjunto.

Referência:

Erin A. Kaufman, Antoine Douaihy, Tina R. Goldstein. Dialectical Behavior Therapy and Motivational Interviewing: Conceptual Convergence, Compatibility, and Strategies for Integration. Cognitive and Behavioral Practice August 2019. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2019.07.004

Processo de Intervenção na Entrevista Motivacional em Evocação

 

Dando prosseguimento ao check list para o profissional se auto avaliar e avaliar o cliente em conformidade a cada um dos processos no referencial da Entrevista Motivacional, veja a seguir algumas questões sobre Evocação.

  • Quais são as razões pessoais do meu cliente para a mudança?
  • A relutância é maior sobre a confiança ou sobre a mudança?
  • Qual fala de mudança estou percebendo/ouvindo?
  • Eu estou me percebendo muito longe ou muito rápido em uma particular direção?
  • As reflexões estão me puxando para argumentações?

Motivar os residentes a mudar a comunicação: o papel de uma aula breve sobre Entrevista Motivacional.

 

 

Lisa Renee Miller-Matero, Erin T. Tobin, Elizabeth Fleagle, Joseph P. Coleman and Anupama Nair

 

A Entrevista Motivacional (EM) é uma abordagem centrada na pessoa que incentiva pacientes para mudar comportamentos. Os programas de treinamento em EM aumentaram o conhecimento dos residentes e uso de habilidades de EM. No entanto, muitos programas de residência podem não ter tempo suficiente para o ensino da EM. O objetivo deste estudo foi avaliar os benefícios de uma aula de EM breve aos residentes em uma clínica médica acadêmica de medicina.

Métodos: Trinta e dois residentes concluíram um treinamento de 1 hora sobre EM entre outubro de 016 e junho 2017 e completaram uma avaliação sobre seu conhecimento e confiança na utilização de EM  antes do treinamento, imediatamente após e em um mês de seguimento.

Resultados: O conhecimento e a confiança dos residentes usando as habilidades de EM aumentou desde o pré-teste, pós-teste e no seguimento de 1 mês.

Conclusão: A utilização das habilidades em EM aumentou do pré-teste até o seguimento de 1 mês. Uma aula de 1 h oferece benefícios aos residentes.

Referência:

 

Miller-Matero LR, Tobin ET, Fleagle E, Coleman JP, Nair A. (2019) Motivating residents to change communication: the role of a brief motivational interviewing didactic. Primary Health Care Research & Development 20(e124): 1–4. doi: 10.1017/S146342361900015X

 

Confira o artigo na integra:

https://www.cambridge.org/core/services/aop-cambridge-core/content/view/70ED8B205ED96A9C4E7757196B1E2CCE/S146342361900015Xa.pdf/motivating_residents_to_change_communication_the_role_of_a_brief_motivational_interviewing_didactic.pdf

O que é Entrevista Motivacional?

 

 

A Entrevista Motivacional foi definida por Miller e Rollnick, em 2013, como um estilo de conversa colaborativa utilizada para promover o fortalecimento da motivação e comprometimento com a mudança. Sua meta tem foco na resolução da ambivalência, de forma a eliciar e não impor a mudança no cliente, por meio de suas premissas básicas: empatia, congruência e espirito colaborativo. Originou-se no campo do tratamento de álcool e outras drogas, mas vem sendo aplicada a diversos outros contextos, com atenção especial a adesão ao tratamento.

Os clientes são responsáveis pelo seu progresso e o profissional atua como facilitador, auxiliando no exame e resolução da ambivalência, estimulando e apoiando a auto eficácia do cliente. Não busca enganar o cliente para convencê-lo a fazer algo que não queira; não é técnica; não é apenas balança decisória, nem somente o aconselhamento.

 

O profissional trabalha em parceria com o cliente, considerando que ele é o especialista de sua própria vida, atuando com empatia ao reconhecer aspectos chaves que podem eliciar o processo de mudança na pessoa. A atuação se dá com o fortalecimento das falas de mudança, na identificação das falas de resistência e de sustentação, na negociação de plano de ação que consolida um compromisso e por fim, ser flexível com outras modalidades e escolas de intervenção.

A Entrevista Motivacional tem sido altamente empregada na saúde, assistência social e justiça e mais recentemente, na educação e esporte.

 

Uma breve definição: A entrevista motivacional (EM) é um estilo de conversa colaborativa que visa fortalecer a motivação e o compromisso pessoal com a mudança.

Uma definição técnica: A EM é um estilo de comunicação colaborativo, focado em um objetivo, com atenção especial para a linguagem de mudança. Ela é projetada para fortalecer a motivação e o compromisso pessoal com um objetivo específico ao estimular e explorar as razões da própria pessoa para a mudança dentro de uma atmosfera de aceitação e compaixão.

Depoimento dos alunos Módulo Avançado – Maio 2019

Durante esse treinamento, após realizar os 3 módulos de ETM eu posso dizer que:

 

  • Aprendi a olhar a EM como um processo de ampliar o profissionalismo, a compaixão, o espírito de equilíbrio e equanimidade.

Daniel Roque Assumpção – Psiquiatra

 

 

  • A EM mudou a forma com a qual abordo meus clientes; curso de ótima qualidade, com bastante conteúdo, prático e teórico.

Jean Cotta – Psiquiatra

 

  • Sou uma pessoa melhor; a professora é maravilhosa e conteúdo bem completo.

Maira Harris – Médica Psiquiatra

 

 

  • Me sinto motivada a atuar dentro do Espirito da EM.

Roseli Nabozny – Assistente Social

 

 

  • Foi muito valido para incrementar minhas possibilidades na prática em Comunidade Terapêutica e a Neliana pelo carinho e competência.

Maria Teresa S Thiago – Psicóloga

 

 

  • Todo conteúdo, incrível!

Leandro Maranhão – Terapeuta

 

 

  • Me sinto mais segura para usar a EM.

Ana Carolina P. Fernandes – Nutricionista

O Espirito da Entrevista Motivacional

A fim de facilitar ainda mais a compreensão da Entrevista Motivacional , Miller e Rollnick elaboram o “Espírito da EM”, que envolve um estilo colaborativo, evocativo e com respeito à autonomia do cliente, a destacar: Parceria ; Aceitação; Evocação e Compaixão.
1. Parceria:

A EM é feita “com” e não “para” a pessoa. Trata-se de um elemento que reforça a necessidade do terapeuta interagir e se interessar pela história e evolução do cliente e não se ater a uma conduta prescritiva. Nesta perspectiva, a EM convida o profissional a construir em seu trabalho uma postura equilibrada na tensão entre seguir o indivíduo e também, guiá-lo. O profissional e o cliente procuram saídas juntos.

2. Aceitação:
Para a compreensão da EM, a aceitação tem forte influência nas obras de Carl Rogers e propõe que o profissional se interesse e valorize o potencial de cada indivíduo. Aceitar a pessoa não significa necessariamente que o profissional aprova ou endossa o status quo ou as ações do cliente, ou seja, se o profissional aprova ou reprova é irrelevante. A aceitação consiste no reconhecimento do valor absoluto que o cliente dá aos seus argumentos e razões, na empatia acurada, no suporte à autonomia do cliente e no reforçamento positivo de falas, e posturas em prol da saúde e integridade de vida do cliente.

Não cabe ao profissional o julgamento, tampouco a imposição ou influência de suas próprias ideias. O julgamento, bem como outras abordagens, faz com que o profissional não escute o cliente e sim, a si mesmo (aos seus próprios valores, percepções do que seja certo ou errado, melhor ou pior para o outro, suposições e/ou interpretações). Este processo faz com que o profissional atue com uma intervenção prescritiva. A proposta da EM é que, no final das contas, o cliente escute a si mesmo e se dê conta de suas motivações e ambivalências, assumindo uma decisão perante seu comportamento de risco.

Para que o processo de aceitação se fortaleça, os autores sugerem ainda a necessidade de fortalecer o apoio à autonomia, na medida em que o profissional respeita a autonomia do cliente e reconhece sua capacidade de direcionar a própria vida. Para alguns profissionais este movimento pode ser difícil de ser feito, quando o cliente pode fazer escolhas e tomar atitudes que, na visão do profissional, não corresponderia ao que haveria de melhor para o seu cliente. Mesmo motivado por boas intenções, agindo desta forma o profissional corre o risco de induzir, coagir ou controlar o cliente, desconstruindo assim, o processo de aceitação.

Finalmente, para a EM a aceitação se completa quando há o movimento de afirmação pelo profissional, quando este busca reconhecer os pontos fortes da pessoa e reforçá-los de forma positiva.

3. Evocação:
Evocar as forças que motivam a pessoa, ao invés de persuadir. Evocar quer dizer lembrar, recordar. Motivação vem de motivo, que quer dizer aquilo que pode fazer mover, motor que causa ou determina alguma coisa. A motivação é um recurso interno. A evocação traz a proposta de ajudar o cliente a se recordar de elementos próprios e únicos que podem se tornar motivos para que haja uma mudança de comportamento.

A mensagem implícita é “Você tem o que você precisa para a mudança e juntos, iremos encontrá-la”. Dentro dessa perspectiva é particularmente importante focar na compreensão das forças da pessoa e em seus recursos invés de focar em seus déficits.

4. Compaixão:
O conceito de compaixão, para a EM, não está em um sentimento pessoal que o profissional deve desenvolver pelo seu cliente. Para os autores, o profissional compassivo é aquele que promove ativamente o bem-estar do outro, colocando-o como prioridade antes dele próprio. Na contemporaneidade, nos mais diferentes segmentos e tipos de serviços, o profissional compassivo é identificado como aquele que não no cliente mais um número, mais um caso ou mais uma fonte de renda: vê no cliente uma pessoa única, prioritária e cheia de possibilidades. O alvo final de cada encontro é o cliente e não deve ser endereçado em momento algum para a satisfação dos próprios interesses do profissional.

A compaixão pode ser compreendida como um meio de tentar fazer o profissional se aproximar mais verdadeiramente da pessoa e não do problema dela. Uma vez que o profissional consegue ter acesso à unicidade de cada um, torna-se possível uma melhor compreensão das complexidades individuais que dificultam as mudanças de comportamento. É um ato de aproximar-se para verdadeiramente ajudar. Os autores reforçam o convite para “colocar a mão na massa” JUNTO com a pessoa e não PELA pessoa. Por isso eles também propõem a parceria.

Referência: MILLER, W. R.; ROLLNICK, S. Motivational Interview – helping people change. 3. ed. New York: The Guilford Press, 2013.