Aumento da Disseminação da Entrevista Motivacional

 

A entrevista motivacional (EM) é a única abordagem padronizada e baseada em evidências para facilitar a mudança de comportamento. A estrutura da EM inclui quatro etapas: 1.) Engajar o cliente; 2.) Focar em uma área de mudança de comportamento; 3.) Evocar motivação e comprometimento com a mudança; e 4.) Planejar as etapas para a mudança.

Para entender a EM é importante revisitar suas raízes. Antes da EM ser formalmente apresentada, seu fundador, Dr. William Miller, conduziu uma meta-análise sobre abordagens e resultados para o tratamento do alcoolismo (na meta-análise, os resultados de muitos estudos são sistematicamente combinados e comparados). Neste estudo, Miller ordenou tratamentos para problemas de álcool por resultado. Ele descobriu que abordagens de tratamento que eram ativas e empáticas eram mais eficazes, enquanto abordagens mais passivas, por exemplo, filmes, palestras e abordagens de confronto, eram menos eficazes. Curiosamente, o estudo constatou que as abordagens de 12 passos foram classificadas em  370 e a 380 lugares, respectivamente, dos 48 avaliados.

O momento eureca de Miller aconteceu durante um período sabático na Noruega, quando ele conversou com um grupo de jovens psicólogos sobre o tratamento comportamental de pacientes com problemas de álcool. Durante uma demonstração de sua abordagem de tratamento, ele foi convidado a descrever a maneira como conduzia sua intervenção de forma a propiciar que o cliente elaborasse seus objetivos e pensamentos. Miller percebeu que sua abordagem era marcadamente diferente das abordagens padrão de tratamento na época.

 

Em 1983, Miller publicou um artigo descrevendo essa nova e promissora abordagem para o tratamento de bebedores problemáticos. Então, em 1991, Miller se uniu ao Reino Unido (Reino Unido), com psicólogo clínico do Serviço Nacional de Saúde, Dr. Stephen Rollnick. Elaborando o trabalho inicial de Miller, os dois descreveram os fundamentos e métodos desta nova abordagem.

 

Disseminação rápida em 25 anos: Atualmente, a EM é usada em várias situações em todo o mundo, incluindo reabilitação de álcool e drogas, justiça e liberdade condicional, saúde comportamental, treinamento para pais e pré-natal – e, é claro, cuidados com a saúde. O uso da EM nos cuidados de saúde tem sido apoiado por dezenas de estudos que documentam seu valor para envolver e auxiliar pacientes com desafios difíceis no gerenciamento do estilo de vida e no autocuidado com doenças – que, assim como pacientes com problemas de abuso de substâncias, podem ter se acostumado a receber informações e censura sobre o seu comportamento pelas pessoas em suas vidas.

 

Embora a EM tenha sido particularmente popular entre os profissionais da área de saúde, há de se considerar leigos e profissionais – com ou sem treinamento formal – afetam os resultados da EM na adesão aos padrões de treinamento, avaliação e prática, que tem se mostrado inconsistentes. Neste contexto, a EM pode ser vista apenas como outra ferramenta (embora baseada em evidências) no kit de ferramentas de um profissional de saúde; como uma técnica que pode ser dominada após um workshop de treinamento de dois ou três dias;  ou um conjunto de habilidades inato para alguns profissionais (mitos que podem afetar diretamente o resultado nos estudos).

 

 

Em nível organizacional, o uso de treinamento que não se encaixam no MI ou na complexidade das habilidades envolvidas, geralmente não atendem às expectativas. De qualquer forma, a menor eficácia do treinamento (seja medida usando ferramentas objetivas e validadas) o impacto do treinamento ainda é  desconhecido. Várias organizações investiram em programas de desenvolvimento de treinamento de EM, trazendo profissionais associados ao Motivational Interviewing Network of Trainers (MINT) para formar parceria com a equipe clínica e na maioria dos casos, quando os resultados são medidos, os resultados são alcançados.

Em quase todas os estudos, a EM percorreu um longo caminho desde seu começo humilde, há mais de 25 anos, e você encontrará algumas descobertas e fatos mais interessantes sobre a EM  neste infográfico abaixo.

 

Referência:

https://healthsciences.org/Infographic-Motivational-Interviewing-Adds-Up

O desenvolvimento da Entrevista Motivacional

 

Introduzida em 1983, a Entrevista Motivacional (EM) agora é amplamente considerada como uma intervenção psicossocial eficaz no campo do tratamento das dependências. Com base na literatura de pesquisa, este artigo pergunta como isso foi alcançado. Contrariamente às concepções comuns da disseminação de intervenções psicossociais no campo do tratamento da dependência, essa análise não considera nem a identidade da EM e nem sua eficácia como qualidades inerentes, mas as vê como sendo construídas por vários atores. Este trabalho de construção é descrito como processos de estabilização. Sendo pouco estruturada e flexível, sugere-se que a EM possa ser considerada uma intervenção fluida. Isso apresentou dificuldades para sua subsequente estabilização. Como a EM foi diferentemente operacionalizada em ensaios clínicos, tornou-se óbvio falar sobre a eficácia da EM como um único objeto de preocupação em revisões sistemáticas e metanálises. O artigo discute algumas das complexidades envolvidas na produção e disseminação de intervenções psicossociais eficazes. Comparado com outros casos, a EM exibe um modo de estabilização um pouco diferente. Argumenta-se que a EM tenha sido estabilizada o suficiente para ser considerada uma intervenção eficaz, ao mesmo tempo em que incorpora fluidez, o que o torna útil em uma ampla gama de contextos clínicos

Referência:

Bjork, A. (2014). Stablizing a fluid intervention: The development of Motivational Interviewing, 1983-2013. Addiction Research and Theory, 22, 313-324. https://doi.org/10.3109/16066359.2013.845174

Terapia Comportamental Dialética e a Entrevista Motivacional: convergência conceitual, compatibilidade e estratégias para integração

 

A terapia comportamental dialética (DBT) e a entrevista motivacional (EM) são duas intervenções psicossociais amplamente usadas e eficazes. Um número imenso e crescente de estudos examina DBT, EM ou adaptações dessas abordagens em diversos contextos de tratamento e em várias populações clínicas. Como o DBT e a EM estão em alta demanda, é provável que profissionais encontrem uma ou ambas abordagens ao longo de suas carreiras. Embora o EM e a DBT tenham evoluído inicialmente em contextos distintos para diferentes populações, essas abordagens compartilham vários princípios fundamentais comuns. Cada uma fornece estratégias distintas e complementares para aumentar a motivação e a capacidade de mudança dos clientes. Para alguns, uma aplicação integrada ou sequenciada da EM e DBT pode aprimorar o atendimento ao cliente. O presente artigo destaca áreas de divergências, convergências e oportunidades de integração e oferece dicas práticas para aplicar DBT e EM em conjunto.

Referência:

Erin A. Kaufman, Antoine Douaihy, Tina R. Goldstein. Dialectical Behavior Therapy and Motivational Interviewing: Conceptual Convergence, Compatibility, and Strategies for Integration. Cognitive and Behavioral Practice August 2019. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2019.07.004

Fala de Permanência ou de sustentação: declarações contra a mudança

 

Fala de mudança: trata-se de qualquer discurso do cliente que favoreça o movimento em direção à uma meta de mudança específica. O cliente pode listar as vantagens ou as desvantagens em mudar; ou expressar intenção em relação à mudança.

Fala de Permanência: Qualquer discurso do cliente que favorece a situação de risco ao invés de movimentar em direção ao objetivo de mudança

Fala de SustentaçãoComportamento interpessoal que reflete a dissonância na relação do trabalho terapêutico. A Fala de sustentação  não constitui, em si, discórdia. Exemplos: argumentar, interromper, discordar ou ignorar.

Como atuar:

    • Sob o espectro da fala de permanência ou sustentação, o cliente está a um passo da dissonância;  e as estratégias de atuação são semelhantes as utilizadas mediante falas de mudança, só que o profissional foca o lado – da ambivalência.
    • Utilize a escuta reflexiva (tente utilizar o “as reflexões ampliadas” para enfatizar, então se afaste da emoção aversiva e da fala de  permanência ou sustentação).
    • Perguntas fechadas correm o risco de reforçar a resposta aversiva.
  • Enfatizar a escolha pessoal é de fundamental importância.

Um Estudo Exploratório sobre Supervisão em Entrevista Motivacional

 

Embora se acredite que a supervisão seja uma estratégia importante para o treinamento profissionais, pouco se sabe sobre como deve ser organizada

e conduzida para promover a fidelidade na implementação.

Objetivo do estudo: explorar comportamentos do supervisor que possam facilitar a proficiência dos orientandos na Entrevista Motivacional.

 

Método: estudo exploratório, com dez supervisores de uma intervenção de prevenção primária da obesidade infantil responderam a entrevistas semiestruturadas sobre seus comportamentos de supervisão. Um método misto abordagem foi usado: dados qualitativos e quantitativos foram coletados e analisados.

Resultados: Os supervisores relataram o uso de várias fontes de informação para avaliar e fornecer feedback sistemático sobre o desempenho dos orientandos. No entanto, a maioria não usou as medidas objetivas disponíveis de proficiência como fonte primária. Além disso, metade dos supervisores argumentou que feedback objetivo pode ter um efeito punir nos orientandos.

Conclusões: Variações no uso de componentes de supervisão que pesquisas anteriores propuseram serem potencialmente influentes no processo e nos resultados podem levar a uma supervisão menos eficiente. As conclusões sugerem que as atividades de supervisão apropriadas conduzidas em cada sessão de supervisão requerem princípios claros de supervisão que especificam o conteúdo e o procedimento da supervisão, bem como o monitoramento regular da aderência nas sessões de supervisão.

Referência:

Beckman M, Bohman B, Forsberg L, Rasmussen F, Ghaderi A. Supervision in Motivational Interviewing: An Exploratory Study. Behav Cogn Psychother. 2017 Jul;45(4):351-365. doi: 10.1017/S135246581700011X.

Tipos de reflexão

 

A reflexão simples repete o que cliente acabou de falar, fazendo uso das suas próprias palavras. É mais do que apenas repetir ao cliente, a resposta deve passar por você e ser alterada de alguma forma.

A reflexão ampliada reflete algo de forma exagerada ou amplificada, sendo que o profissional interfere no conteúdo dito pelo cliente e reflete com palavras novas, ampliando a perspectiva do que foi dito.

A reflexão dupla reflete a última declaração do cliente, com uma afirmação contraditória feita anteriormente. Você pode reformulá-la em forma de um dilema ou ambivalência que o cliente está enfrentando, ou construir a discrepância, refletindo um valor com um comportamento.

A reflexão complexa ou de sentimentos envolve repetir algo para além das palavras: tipicamente afeta também o significado, os valores ou a direção. Pode ser uma simples afirmação (Você parece feliz quando fala sobre sua esposa), mas pode ser mais sofisticada, por exemplo, ao vincular os sentimentos às experiências e comportamentos: Você se sente [nomear de forma precisa o sentimento do cliente] quando [nomear de forma precisa as experiências e comportamentos que dão origem ao sentimento]. Esta é uma abordagem bastante previsível! Uma vez que você se acostuma à ideia de vincular sentimentos com comportamentos e experiências, use as suas próprias palavras. Como regra geral, desvie da compreensão do conteúdo emocional quando refletir; se você exagerar, o cliente pode recuar e rejeitar a emoção.

A Metáfora ou Parafrasear movimenta-se muito além de conteúdo para fornecer um modelo para a compreensão, valendo-se de figuras ou frases/ditados para que o cliente consiga apreender o conteúdo.

As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem e como evitá – las

 

As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem e técnicas eficazes para evita-las, de Artur Freeman e Rose DeWolf trabalham pensamentos contraproducentes e como combate-los.

Confira a seguir :

  • Catastrofismo: conclusões catastróficas podem ser paralisantes
  • Telepatia: achar que sabemos o que se passa na cabeça alheia e que os outros deveriam também saber o que se passa na nossa.
  • Mania de perseguição: levar tudo para o lado pessoal
  • Acreditar em tudo que o assessor de imprensa diz: aqui eu faço um parênteses para as mídias sociais e correntes de Whats App – é necessário muita ponderação!
  • Levar as críticas muito a sério
  • Perfeccionismo: desejo de ser 100% perfeito leva a 0% de realização
  • Mania de comparação: tende a ser desanimador e em geral, é impreciso
  • Pensamento condicional “e se …”: focar nas preocupações invés de ampliar as capacidades de lidar com elas
  • Deve ser assim: o verbo dever no imperativo é uma ordem – o risco é ficar obcecado pelo que deveria fazer e não pensar no que pode ser feito
  • O vicio “sim, mas …”: encontrar algo negativo que se sobrepõe a todo aspecto positivo

Inicialmente é importante identificar seus pensamentos, analisá-los e mudar o padrão comportamental.

Em linhas gerais: Pare – Olhe – Escute! Não aja no piloto automático.

Processo de Intervenção na Entrevista Motivacional em Evocação

 

Dando prosseguimento ao check list para o profissional se auto avaliar e avaliar o cliente em conformidade a cada um dos processos no referencial da Entrevista Motivacional, veja a seguir algumas questões sobre Evocação.

  • Quais são as razões pessoais do meu cliente para a mudança?
  • A relutância é maior sobre a confiança ou sobre a mudança?
  • Qual fala de mudança estou percebendo/ouvindo?
  • Eu estou me percebendo muito longe ou muito rápido em uma particular direção?
  • As reflexões estão me puxando para argumentações?

Equilíbrio e Equanimidade na Entrevista Motivacional

 

Equilíbrio e Equanimidade na Entrevista Motivacional

William Miller

 

O espírito da EM indica uma espécie de equanimidade como uma característica geral da prática da Entrevista Motivacional. Essa postura  desejável é bastante distinta da escolha consciente por parte do profissional: a aspiração do profissional deve se mover estrategicamente em direção a um alvo de mudança em particular, ou intencionalmente manter a neutralidade em relação ao objetivo de mudança (equiíbrio). Ambas as escolhas envolveriam a equanimidade, e ambas requerem atenção intencional, consciente e habilidosa à dinâmica interpessoal nas conversas sobre mudanças que foram elucidadas através do desenvolvimento e da pesquisa sobre EM.

 

Referencia:

Miller, W. Equipoise and Equanimity in Motivational Interviewing. Motivational Interviewing: Training, Research, Implementation, Practice www.mitrip.org ISSN 2160-584X (online) Vol. 1 No. 1 (2012) DOI 10.5195/mitrip.2012.10

Avaliação do desenvolvimento da empatia na educação médica: uma revisão sistemática

 

 

Assessing empathy development in medical education: a systematic review

 

Sandra H Sulzer1,*, Noah W Feinstein2and; Claire L Wendland3

Medical Education Volume 50, Issue 3, pages 300–310, March 2016

 

 

A empatia no relacionamento médico-paciente é um tópico familiar para os médicos especialistas e uma meta crucial para os educadores médicos. No entanto, existem divergências persistentes na literatura sobre como melhor avaliar a empatia entre os médicos e se a empatia diminui ou aumenta em toda a educação médica. Alguns pesquisadores argumentam que os instrumentos usados ​​para estudar a “empatia” podem não medir algo significativo na prática clínica ou a satisfação do paciente.

Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática para aprender como a empatia é conceituada na pesquisa em educação médica. Examinamos como os pesquisadores definem o conceito central de empatia e o que escolhem para medir, e investigaram como as definições e operacionalizações se encaixam.

Resultados: Entre os 109 estudos que preencheram os critérios de busca, 20% não conseguiram definir o construto central de empatia e apenas 13% usaram uma operacionalização que foi bem compatível com a definição fornecida. A maioria dos estudos foi caracterizada por inconsistências internas e indefinição na conceituação e operacionalização da empatia, restringindo a validade e a utilidade da pesquisa. Os métodos mais comumente usados ​​para medir a empatia se baseiam fortemente no auto relato e no conhecimento desvinculado da ação, e podem, portanto, ter poder limitado a presença ou ausência de empatia em contextos clínicos. Finalmente, a maioria dos estudos tratou a empatia como uma “caixa preta”, usando medições globais de construção que são incapazes de lançar luz sobre os processos subjacentes que produzem uma resposta empática.

Conclusões: Sugerimos que pesquisas futuras sigam o exemplo da pesquisa científica básica que conceitualiza empatia como relacional – um engajamento entre um sujeito e um objeto – e não como uma qualidade pessoal que pode ser modificada por meio de treinamento.

 

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