Ouvir Bem: A Arte da Compreensão Empática



Você é um bom ouvinte? Quão bem você realmente conhece as pessoas ao seu redor? A capacidade de compreensão empática é intrínseca em nossas mentes, mas sua expressão plena envolve habilidades de escuta particulares que raramente são aprendidas através da experiência comum. Por meio de explicações claras, exemplos específicos e exercícios práticos, o Dr. Miller oferece um processo passo a passo para desenvolver sua habilidade na escuta empática. Com base sólida em sessenta anos de pesquisa científica, essas habilidades de comunicação não se limitam aos profissionais e podem ser aprendidas e aplicadas em sua vida cotidiana. Em vez de assumir que você sabe o significado daquilo que acha que ouviu, a escuta empática permite que você desenvolva uma compreensão mais precisa e evite a falta de comunicação. A compreensão empática pode ajudar a aprofundar os relacionamentos pessoais, aliviar conflitos, comunicar-se entre as diferenças e promover mudanças positivas. O autor também discute habilidades para se expressar claramente e para fortalecer relacionamentos e amizades. Por meio da compreensão empática, você tem acesso à experiência de vida muito além da sua, e com o tempo, ouvir bem e profundamente se torna um modo de ser, promovendo uma aceitação compassiva e paciente das fragilidades humanas – as dos outros e as suas.
Confira!
Referência: Listening Well: The Art of Empathic Understanding
William R. Miller
Idioma: Inglês    
Ano: 2018
Wipf & Stock

Pensando em fazer uma mudança em sua vida? Este baralho irá ajudá-lo a identificar e pensar sobre as questões importantes para você hoje.




O Baralho de Valores Pessoais foi criado em 2001 por William R. Miller, Janet C’de Baca, Daniel B. Matthews e Paula L. Wilbourn, com o objetivo de incentivar a exploração de valores pessoais de modo a eliciar a fala de mudança, que é precursora da modificação de comportamentos, segundo o referencial da Entrevista Motivacional.

Em 2011, foi atualizado para incluir mais valores até a versão atual. Vale destacar que a versão aqui disponibilizada foi adaptada a realidade brasileira por Neliana Buzi Figlie, além de contar com os feedbacks obtidos por parte de profissionais brasileiros que realizaram o Treinamento em Entrevista Motivacional.

Tem como objetivo classificar 100 valores em grau de importância de modo a incentivar a exploração de valores pessoais. Uma vez que os valores foram classificados e priorizados, segue um questionamento reflexivo por meio de perguntas que podem ser em formato escrito ou verbal, com vistas a aprofundar a conexão de valores para qualquer crescimento individual ou profissional.

Veja alguns exemplos:

  • Como que os valores que você escolheu se alinham com as suas escolhas de vida?
  • Como que os valores que você escolheu se alinham com as suas escolhas profissionais ou sua situação de tratamento – vida?
  • Se houver um desalinhamento de valores para as escolhas, que mudanças você poderia fazer para trazê-los de volta para o alinhamento?
  • Partilhar os seus valores com terceiros, facilita a explicação do seu significado pessoal de cada valor.

Referências: Miller, W. R.; Rollnick, S. Motivational Interview – helping people change. 3. ed. New York: The Guilford Press, 2013.

Figlie, NB. https://www.artesaeditora.com.br/livro-valores-pessoais-9786586140491,fig037.html

William R. Miller, Janet C’de Baca, Daniel B. Matthews, e Paula L. Wilbourn. Personal Values Cards, 2001 (1ª edição). Disponível em:  https://casaa.unm.edu/inst/Personal%20Values%20Card%20Sort.pdf

Compaixão como motivação

Na compaixão, o sofrimento é um sinal de angústia e o apropriado repertorio comportamental envolve a aquisição de sabedoria e habilidades para atuação preventiva ao aliviar o sofrimento do outro. Todos os motivos, sejam quais forem (alimentação, sexo, status econômico, saúde) são envolvidos com sensibilidade e com apropriado repertorio comportamental. O valor do carinho envolvente para o outro tem vantagens potenciais de sobrevivência e ajuda que culminam na cooperação mútua.

A ideia é explorar e envolver o cliente no processo de mudança ao identificar suas necessidades e competências com compaixão. O ser humano evoluiu competências sociais inteligentes que são importantes para o engajamento e ação de prevenção do sofrimento.

Este estudo embasa o valor da compaixão na saúde física e mental e nas relações sociais, que proliferaram nos últimos 25 anos. Embora existam várias conceitualizações e medidas de compaixão, este estudo desenvolve três novas medidas de competências de compaixão derivadas de uma abordagem evolucionária e motivacional. As escalas avaliam 1. a compaixão que sentimos pelos outros; 2. a compaixão que sentimos dos outros; e 3. a autocompaixão com base em uma definição padrão de compaixão como uma ‘sensibilidade ao sofrimento em si mesmo e nos outros com o compromisso de tentar aliviar e prevenir ‘.

Referência: Gilbert, P., Catarino, F., Duarte, C. et al. The development of compassionate engagement and action scales for self and others. J of Compassionate Health Care 4, 4 (2017). https://doi.org/10.1186/s40639-017-0033-3

Comparação de Entrevista Motivacional com Terapia de Aceitação e Compromisso: Uma revisão conceitual e clínica

 

Contexto: A Entrevista Motivacional (EM) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são duas terapias emergentes que se concentram no compromisso com a mudança de comportamento.

Objetivo: Fornecer a primeira revisão sistemática da EM com a ACT.

MÉTODO: Foi realizada uma comparação sistemática da EM e ACT em nível conceitual, com foco em suas bases filosóficas e teóricas, e em nível clínico, com foco na relação terapêutica, uso da linguagem e uso de valores na terapia.

RESULTADOS: Conceitualmente, EMI e ACT têm bases filosóficas distintas. A base teórica da EM se concentra no conteúdo da linguagem, enquanto a base teórica do ACT se concentra na aceitação e  consequente experimentação de  pensamentos, sentimentos e sensações decorrentes dessa aceitação. Clinicamente, o ACT e a EM têm abordagens distintas para o relacionamento terapêutico, focos fundamentalmente diferentes na linguagem do cliente e diferentes usos dos valores do cliente para motivar a mudança de comportamento.

CONCLUSÕES: Apesar de suas diferenças conceituais e clínicas, a EM e a ACT são intervenções complementares. As colaborações entre os pesquisadores da EM e da ACT podem produzir uma um campo fértil para pesquisa sobre processos centrais e resultados clínicos.

Referência:

Bricker, J. & Tollison, S. (2011). Comparison of Motivational Interviewing with Acceptance and Commitment Therapy: A conceptual and clinical review. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 39, 541–559.

O desenvolvimento da Entrevista Motivacional

 

Introduzida em 1983, a Entrevista Motivacional (EM) agora é amplamente considerada como uma intervenção psicossocial eficaz no campo do tratamento das dependências. Com base na literatura de pesquisa, este artigo pergunta como isso foi alcançado. Contrariamente às concepções comuns da disseminação de intervenções psicossociais no campo do tratamento da dependência, essa análise não considera nem a identidade da EM e nem sua eficácia como qualidades inerentes, mas as vê como sendo construídas por vários atores. Este trabalho de construção é descrito como processos de estabilização. Sendo pouco estruturada e flexível, sugere-se que a EM possa ser considerada uma intervenção fluida. Isso apresentou dificuldades para sua subsequente estabilização. Como a EM foi diferentemente operacionalizada em ensaios clínicos, tornou-se óbvio falar sobre a eficácia da EM como um único objeto de preocupação em revisões sistemáticas e metanálises. O artigo discute algumas das complexidades envolvidas na produção e disseminação de intervenções psicossociais eficazes. Comparado com outros casos, a EM exibe um modo de estabilização um pouco diferente. Argumenta-se que a EM tenha sido estabilizada o suficiente para ser considerada uma intervenção eficaz, ao mesmo tempo em que incorpora fluidez, o que o torna útil em uma ampla gama de contextos clínicos

Referência:

Bjork, A. (2014). Stablizing a fluid intervention: The development of Motivational Interviewing, 1983-2013. Addiction Research and Theory, 22, 313-324. https://doi.org/10.3109/16066359.2013.845174