Comparação de Entrevista Motivacional com Terapia de Aceitação e Compromisso: Uma revisão conceitual e clínica

 

Contexto: A Entrevista Motivacional (EM) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são duas terapias emergentes que se concentram no compromisso com a mudança de comportamento.

Objetivo: Fornecer a primeira revisão sistemática da EM com a ACT.

MÉTODO: Foi realizada uma comparação sistemática da EM e ACT em nível conceitual, com foco em suas bases filosóficas e teóricas, e em nível clínico, com foco na relação terapêutica, uso da linguagem e uso de valores na terapia.

RESULTADOS: Conceitualmente, EMI e ACT têm bases filosóficas distintas. A base teórica da EM se concentra no conteúdo da linguagem, enquanto a base teórica do ACT se concentra na aceitação e  consequente experimentação de  pensamentos, sentimentos e sensações decorrentes dessa aceitação. Clinicamente, o ACT e a EM têm abordagens distintas para o relacionamento terapêutico, focos fundamentalmente diferentes na linguagem do cliente e diferentes usos dos valores do cliente para motivar a mudança de comportamento.

CONCLUSÕES: Apesar de suas diferenças conceituais e clínicas, a EM e a ACT são intervenções complementares. As colaborações entre os pesquisadores da EM e da ACT podem produzir uma um campo fértil para pesquisa sobre processos centrais e resultados clínicos.

Referência:

Bricker, J. & Tollison, S. (2011). Comparison of Motivational Interviewing with Acceptance and Commitment Therapy: A conceptual and clinical review. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 39, 541–559.

O desenvolvimento da Entrevista Motivacional

 

Introduzida em 1983, a Entrevista Motivacional (EM) agora é amplamente considerada como uma intervenção psicossocial eficaz no campo do tratamento das dependências. Com base na literatura de pesquisa, este artigo pergunta como isso foi alcançado. Contrariamente às concepções comuns da disseminação de intervenções psicossociais no campo do tratamento da dependência, essa análise não considera nem a identidade da EM e nem sua eficácia como qualidades inerentes, mas as vê como sendo construídas por vários atores. Este trabalho de construção é descrito como processos de estabilização. Sendo pouco estruturada e flexível, sugere-se que a EM possa ser considerada uma intervenção fluida. Isso apresentou dificuldades para sua subsequente estabilização. Como a EM foi diferentemente operacionalizada em ensaios clínicos, tornou-se óbvio falar sobre a eficácia da EM como um único objeto de preocupação em revisões sistemáticas e metanálises. O artigo discute algumas das complexidades envolvidas na produção e disseminação de intervenções psicossociais eficazes. Comparado com outros casos, a EM exibe um modo de estabilização um pouco diferente. Argumenta-se que a EM tenha sido estabilizada o suficiente para ser considerada uma intervenção eficaz, ao mesmo tempo em que incorpora fluidez, o que o torna útil em uma ampla gama de contextos clínicos

Referência:

Bjork, A. (2014). Stablizing a fluid intervention: The development of Motivational Interviewing, 1983-2013. Addiction Research and Theory, 22, 313-324. https://doi.org/10.3109/16066359.2013.845174