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Entrevista Motivacional e Terapia Cognitiva Comportamental: uma combinação que dá certo!

A integração da TCC com a ETM já tem sido evidenciada em estudos, bem como na prática clínica. A TCC presume que a pessoa esteja motivada a mudar, direcionando suas estratégias para modificação de crenças e hábitos, não abordando especificamente questões de motivação ou ambivalência. Com a união da ETM e TCC para abordar essas questões, o engajamento do cliente tende a aumentar e a eficácia subsequente da TCC, contribuindo para melhores desfechos no tratamento, principalmente no pré-tratamento. Connors, Walitzer e Dermen (2002)  encontraram efeitos positivos para o pré-tratamento com a ETM para alcoolismo acompanhado de um tratamento de TCC. Amrhein e col encontraram que dois terços dos clientes responderam bem a uma sessão de ETM, mas a terça parte restante mostrou inversão de ganhos quando pressionada a concluir o tratamento em uma única sessão.

O estudo COMBINE demonstrou a possibilidade acima descrita com dependentes de álcool: a intervenção baseada na TCC iniciou com uma abordagem de ETM e em seguida, prosseguiu para um menu de módulos de TCC que adotava um estilo clinico da ETM. Os resultados mostraram que os pacientes que receberam a intervenção descrita ou medicamento (naltrexona) obtiveram resultados significantemente melhores que aqueles que receberam medicamento placebo sem psicoterapia.

A ETM pode ser usada não apenas como pré-tratamento na TCC, mas em todo curso desta, uma vez que problemas de baixa motivação e resistência podem surgir em qualquer momento do tratamento. Quando esses problemas aparecem na TCC, o profissional pode usar a ETM por uma ou mais sessões para resolver a resistência e aumentar a motivação para a mudança.

Outro aspecto a destacar na TCC é que há muita literatura que enfatiza o que fazer e não como fazer. Neste contexto a essência da ETM pode formar um contexto relacional para a TCC melhore o resultado do tratamento. No entanto, usar a essência da ETM para conduzir a TCC não é realmente uma integração das duas abordagens. Isso só acontece quando os princípios, métodos e a essência da ETM são empregados, principalmente com clientes relutantes e ambivalentes. Preservar a autonomia do cliente, evocar suas ideias sobre o que pode ajudá-lo e como, bem como reforçar positivamente pensamentos e decisões saudáveis são imprescindíveis neste tipo de atuação.

Referências:

Amrhein, P.C.; Miller, W.R.; Yahne, C.E.; Palmer, M.; Fulcher, L. (2003) Client commitment language during motivational interview predicts drug use outcomes. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 71, 862-878.

 

Anton, R.F.; O´Malley, S.S.; Ciraulo, D.A.; Cisler, R.A.; Couper, D.; Donavan,D.M. et al. (2006). Combined phamacotheraphies and behavioral interventions for alcohol dependence: The COMBINE Study: A randomized controlled trial. Journal of the American Medical Association, 295, 2003-2017.

 

Anton, R.F.; O´Malley, S.S.; Ciraulo, D.A.; Cisler, R.A.; Couper, D.; Donavan,D.M. et al. (2006). Combined phamacotheraphies and behavioral interventions for alcohol dependence: The COMBINE Study: A randomized controlled trial. Journal of the American Medical Association, 295, 2003-2017.

 

Connors, G. J.; Walitzer, K.S.; Dermen, K.H. (2002). Preparing clients for alcoholism treatment: Effects on treatment participation and outcomes. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 70, 1161-1169.

 

Figlie, NB. Entrevista Motivacional e Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento do Uso de Substâncias Psicoativas. In: Neide A. Zanelatto; Ronaldo Laranjeira. (Org.). O tratamento da Dependência Química e as Terapias Cognitivo-Comportamentais. 1 ed. Porto Alegre: Grupo A, 2013, p. 273-290.

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