Intervenções breves de álcool nos cuidados de noruegueses: um modo neoliberal de governar e as consequências sociais

Objetivo: Neste artigo, o objetivo é explorar como uma política de saúde pública direcionada para intervenções breves com álcool no cuidado pré-natal, como triagem e entrevista motivacional (EM) e as consequências sociais dessa intervenção. Tradicionalmente, a pesquisa de saúde pública nórdica sobre políticas de controle de álcool dá prioridade a medidas gerais de controle, destinadas à população. No entanto, o artigo procura argumentar a relevância de intervenções breves com usuários de bebidas álcool visando o controle individual.

Metodologia: A base empírica do artigo baseia-se no conteúdo de um programa de intervenção breve educacional destinado a parteiras e médicos em assistência pré-natal na Noruega. À luz da perspectiva da governabilidade, o autor analisa a triagem e a EM utilizadas no cuidado pré-natal como um modo de governança que promove o processo de responsabilização e a criação do “outro irresponsável”.

Constatações: Argumenta-se que uma intervenção breve direcionada ao consumo de bebidas alcoólicas no cuidado pré-natal é um exemplo perfeito de um modo de governança neoliberal, porque é uma forma indireta de governança, que classifica os profissionais de saúde como parte do estado que deseja tornar a gestante autogovernada e responsável. Além disso, esse modo neoliberal de governança pode levar a quatro consequências sociais diferentes: Obscurecimento da linha entre o poder do estado e o poder do eu, que afeta a distinção entre riscos objetivos à saúde e julgamento moral; a disseminação de ferramentas terapêuticas poderosas para profissões não terapêuticas neutraliza ainda mais as dimensões morais; a individualização das responsabilidades pela saúde fetal descontextualiza os hábitos de consumo das mulheres; e chama a atenção do profissional de saúde para regulamentações de normalidade que estão longe de ajudar as mulheres com graves problemas de bebida.

Originalidade: Tradicionalmente, a pesquisa de saúde pública nórdica sobre políticas de controle de álcool dá prioridade a medidas gerais de controle destinadas à população. No entanto, este artigo mostra a relevância de uma perspectiva de governabilidade para analisar intervenções breves com álcool com controle individual. Juntamente com as medidas gerais de controle das políticas norueguesas de álcool, com o estado envolvendo as mulheres em nível individual, por meio de intervenções breves e precoces. Portanto, o estado tem metas duplas de governança; primeiro, os regulamentos gerais de prevenção de riscos direcionados à população e, em seguida, o estado também facilita o direcionamento de indivíduos.

Referência:

Irmgard Snertingdal, M. (2013), “Brief alcohol interventions in Norwegian natal care: a neoliberal mode of governing and social consequences”, Drugs and Alcohol Today, Vol. 13 No. 1, pp. 36-43. https://doi.org/10.1108/17459261311310835

O espírito da entrevista motivacional como um aparato de governabilidade: Uma análise dos materiais de leitura utilizados no treinamento de profissionais que trabalham com abuso de substâncias

Profissionais que trabalham com o abuso de substâncias se deparam diariamente com clientes que são confrontados com problemas robustos e tangíveis. A compreensão destes problemas é conferida legitimidade epistemológica e ontológica pelas psicociências. Como resultado, a prática nos campos de tratamento e dependência de abuso de substâncias raramente está sujeita ao escrutínio fornecido pela análise pós-estrutural. Além disso, as disciplinas de tratamento de dependência e sociologia raramente colaboram de maneira significativa por inúmeras razões. Para o clínico, capturado entre os discursos psicológicos, sociológicos e biológicos, existe uma tendência a optar pelas capacidades percebidas de resolução de problemas nos discursos psicológicos. No entanto, em um hemisfério pós-etiológico, a atenção está cada vez mais fixada no imperativo fiscal. As relações médico-paciente foram reconfiguradas na sociedade neoliberal. Neste estudo, os materiais utilizados para treinar estudantes de graduação em Habilidades de Entrevista Motivacional em um programa de graduação em Álcool e Drogas foram submetidos a uma análise textual empregando o conceito de governabilidade foucaultiana. O modelo descritivo etiológico familiar utilizado no campo foi transposto para o termo discurso foucaultiano.

A intenção era interrogar os efeitos da entrevista motivacional no cliente e no clínico e o reposicionamento resultante. Verificou-se que a abordagem da Entrevista Motivacional reposiciona o cliente como um sujeito autônomo ativo, enquanto o profissional é espiritualmente impregnado na fabricação de uma subjetividade neoliberal dentro do cliente. Argumenta-se que a interação cliente /profissional constituída deve menos às considerações clínicas, do que às agendas neoliberais contemporâneas. Os proponentes da prática citam facetas progressivas e esclarecidas da Entrevista Motivacional por meio de um endividamento acrítico à resiliência ascendente e discursos baseados em força. Alternativamente, a EM pode ser entendida como uma estratégia individualizante que desloca os clientes de suas comunidades de entendimento, posteriormente posicionadas como primitivas ou com déficit. No motivo resultante, a interação cliente / profissional é reconfigurada para que o cliente ativo e racional, autonomizado, seja produzido pelo profissional recém-envolvido. Assim, a Entrevista Motivacional é ao mesmo tempo um aparato político  e apolítico, o que requer mais pesquisas.

Referência:

Carton, T. (2014). The spirit of motivational interviewing as an apparatus of governmentality. An analysis of reading materials used in the training of substance abuse clinicians. Sociology Mind, 4, 192-205.

Efeitos no Tratamento da EM em Grupo

 Os grupos de Entrevista Motivacional (EM) surgiram mais recentemente, e as pesquisas até o momento se basearam no uso de substâncias como “comportamento-alvo”. Os estudos de grupos de EM como única alternativa de  tratamento não são comuns, uma vez que os grupos de EM são um prelúdio para outros tratamentos, o que acaba por limitar as conclusões sobre a eficácia. No entanto, apesar destas limitações, os estudos sugerem que os grupos de EM são promissores.

                Apesar do pequeno número de estudos controlados, as evidências indicam que os grupos de EM podem melhorar o reconhecimento da ambivalência, favorecer a autonomia, aumentar o envolvimento e participação no tratamento. Os grupos de EM podem ser adaptados para evitar alguns dos efeitos iatrogênicos negativos que têm sido a preocupação dos pesquisadores.

·      Os Grupos de EM podem aumentar a autonomia e promover o reconhecimento da ambivalência

Foote et.al. (1999) descobriu que a inclusão de um grupo de EM, aberto e de 04 sessões anteriores ao tratamento usual de abuso de substâncias para pacientes ambulatoriais, aumentou os níveis de autonomia dos seus membros, suas percepções de apoio e o reconhecimento da ambivalência para além do atendimento individual padrão.

·                          Os Grupos de EM podem melhorar a auto eficácia, as intenções comportamentais e a prontidão para a mudança

Um ensaio clínico randomizado evidenciou que três horas de EM acrescida de feedback personalizado com estudantes universitários enviados para tratamento em decorrência de problemas relacionados ao beber reduziu o consumo de álcool  ao aumentar a auto eficácia relacionada à recusa de bebidas em três situações de alto risco: pressão social, estresse emocional e beber oportunista; aumentou a percepção de risco e diminuiu as expectativas positivas relacionadas ao beber (La Chance, 2009).

·      Os Grupos de EM podem melhorar a adesão, frequência e resultado do tratamento

Um estudo não randomizado (Lincourt, et.al.,2002) com homens condenados pela justiça e que não aderiram a nenhum outro tipo de tratamento, revelou um resultado promissor (06 sessões de grupo de EM anteriores ao tratamento ambulatorial de abuso de substâncias). Os participantes do grupo de EM apresentaram uma maior probabilidade de completar o tratamento (56%) do que aqueles em tratamento padrão (32%); faltaram menos às consultas e foram classificados pelos terapeutas subsequentes como mais bem-sucedidos na conclusão dos objetivos do tratamento.

·      Os Grupos de EM podem aumentar a participação no pós-tratamento

Um estudo não randomizado comparou um grupo de EM (2 sessões) com pacientes internados, à um grupo controle que discutiu sobre os problemas da vida (Santa Ana et al., 2007). Os participantes do grupo de EM frequentaram duas vezes mais os encontros pós-tratamento se comparados ao grupo controle. Os pesquisadores integraram o espírito da EM, as técnicas de comunicação PARR e estratégias da EM (explorar e normalizar a ambivalência; escala de importância; explorar a confiança, valores e forças). Os participantes do grupo de EM também traçaram diretrizes para encorajar os membros a participarem e evitarem a argumentação.

·      Os Grupos de EM podem promover o reconhecimento de problemas

      Beadnell (2012)avaliou um grupo de aprimoramento motivacional (16 horas – PRIME for life), o seu impacto sobre a intenção de beber, reconhecimento dos riscos e reconhecimento dos problemas. O grupo participante do PRIME foi comparado à pacientes que estavam em tratamento padrão. As intervenções foram realizadas em pequenos grupos que participavam do programa de Educação em Álcool e Drogas do departamento de trânsito, que normalmente ocorre em duas sessões de 8 horas. O estudo revelou que o grupo motivacional apresentou mais resultados positivos: melhor reconhecimento dos problemas, melhor percepção dos riscos e uma avaliação positiva nos tratamentos associados.

Referência: Motivational Interviewing in Groups

Wagner Ingersol

Health Behavior Change – A Guide for professionals

 

¨Health Behavior Change – A Guide for professionals¨

(Mudança de comportamento de saúde – um guia para profissionais)

Pip Mason & Christopher C. Butler

Idioma: Inglês     Ano: 2010 2ª edição

Escrito por especialistas de reputação mundial, Health Behavior Change apresenta um método emocionante que pode ser usado para ajudar os pacientes a mudar seus comportamentos nos ambientes hospitalares e comunitários. O método é aplicável a qualquer comportamento, como obesidade,  sedentarismo,  tabagismo, pacientes com doenças crônicas como diabetes e doença cardíaca. Usando intervenções breves e estruturadas, o profissional incentiva o paciente a se encarregar da tomada de decisões sobre sua saúde. Baseia-se na parceria entre profissional e paciente, em vez de dominação de um sobre o outro e é realizada em um espírito de Negociação, invés de confronto.

O texto descreve claramente os princípios fundamentais da ETM na prática. Problemas de resistência e falta de motivação são explorados e estratégias são sugeridas, com exemplos de casos e dilemas clínicos.

Aparência aprimorada com duas cores,  design moderno e resumos dos capítulos ajudam na  assimilação e compreensão.

Comparação de Entrevista Motivacional com Terapia de Aceitação e Compromisso: Uma revisão conceitual e clínica

 

Contexto: A Entrevista Motivacional (EM) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são duas terapias emergentes que se concentram no compromisso com a mudança de comportamento.

Objetivo: Fornecer a primeira revisão sistemática da EM com a ACT.

MÉTODO: Foi realizada uma comparação sistemática da EM e ACT em nível conceitual, com foco em suas bases filosóficas e teóricas, e em nível clínico, com foco na relação terapêutica, uso da linguagem e uso de valores na terapia.

RESULTADOS: Conceitualmente, EMI e ACT têm bases filosóficas distintas. A base teórica da EM se concentra no conteúdo da linguagem, enquanto a base teórica do ACT se concentra na aceitação e  consequente experimentação de  pensamentos, sentimentos e sensações decorrentes dessa aceitação. Clinicamente, o ACT e a EM têm abordagens distintas para o relacionamento terapêutico, focos fundamentalmente diferentes na linguagem do cliente e diferentes usos dos valores do cliente para motivar a mudança de comportamento.

CONCLUSÕES: Apesar de suas diferenças conceituais e clínicas, a EM e a ACT são intervenções complementares. As colaborações entre os pesquisadores da EM e da ACT podem produzir uma um campo fértil para pesquisa sobre processos centrais e resultados clínicos.

Referência:

Bricker, J. & Tollison, S. (2011). Comparison of Motivational Interviewing with Acceptance and Commitment Therapy: A conceptual and clinical review. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 39, 541–559.

” Coaching Athletes to Be Their Best: Motivational Interviewing in Sports”

 

” Coaching Athletes to Be Their Best: Motivational Interviewing in Sports”

Stephen RollnickJonathan FaderJeff Breckon, and Theresa B. Moyers

Idioma: Inglês      Ano: 2019

Guilford Press

Para se mensurar um grande treinador é preciso avaliar se ele está extraindo o  melhor dos atletas. Este é o primeiro guia de Entrevista Motivacional (EM) dirigido para treinadores, psicólogos do esporte, especialistas em treinamento e reabilitação entre outros – uma abordagem que comprovadamente aproveita o poder da conversação para construir relacionamentos e auto confiança. O livro revela porque as formas convencionais de dar feedback e resolver conflitos geralmente são contraproducentes e apresenta métodos testados e aprovados para ajudar os atletas a prosperar. Os principais psicólogos do esporte e especialistas em MI – incluindo  Stephen Rollnick – fornecem estratégias eficazes para estimular a motivação, promover a apropriação de objetivos pessoais, resolver problemas de comportamento dentro e fora do campo, aprimorar o desempenho e melhorar o trabalho em equipe. Estão incluídos exemplos passo a passo e histórias inspiradoras de treinadores. Os compradores têm acesso a uma página da Web na qual podem baixar e imprimir as folhas de referência rápida reproduzíveis do livro sobre as principais habilidades de EM.

Aumento da Disseminação da Entrevista Motivacional

 

A entrevista motivacional (EM) é a única abordagem padronizada e baseada em evidências para facilitar a mudança de comportamento. A estrutura da EM inclui quatro etapas: 1.) Engajar o cliente; 2.) Focar em uma área de mudança de comportamento; 3.) Evocar motivação e comprometimento com a mudança; e 4.) Planejar as etapas para a mudança.

Para entender a EM é importante revisitar suas raízes. Antes da EM ser formalmente apresentada, seu fundador, Dr. William Miller, conduziu uma meta-análise sobre abordagens e resultados para o tratamento do alcoolismo (na meta-análise, os resultados de muitos estudos são sistematicamente combinados e comparados). Neste estudo, Miller ordenou tratamentos para problemas de álcool por resultado. Ele descobriu que abordagens de tratamento que eram ativas e empáticas eram mais eficazes, enquanto abordagens mais passivas, por exemplo, filmes, palestras e abordagens de confronto, eram menos eficazes. Curiosamente, o estudo constatou que as abordagens de 12 passos foram classificadas em  370 e a 380 lugares, respectivamente, dos 48 avaliados.

O momento eureca de Miller aconteceu durante um período sabático na Noruega, quando ele conversou com um grupo de jovens psicólogos sobre o tratamento comportamental de pacientes com problemas de álcool. Durante uma demonstração de sua abordagem de tratamento, ele foi convidado a descrever a maneira como conduzia sua intervenção de forma a propiciar que o cliente elaborasse seus objetivos e pensamentos. Miller percebeu que sua abordagem era marcadamente diferente das abordagens padrão de tratamento na época.

 

Em 1983, Miller publicou um artigo descrevendo essa nova e promissora abordagem para o tratamento de bebedores problemáticos. Então, em 1991, Miller se uniu ao Reino Unido (Reino Unido), com psicólogo clínico do Serviço Nacional de Saúde, Dr. Stephen Rollnick. Elaborando o trabalho inicial de Miller, os dois descreveram os fundamentos e métodos desta nova abordagem.

 

Disseminação rápida em 25 anos: Atualmente, a EM é usada em várias situações em todo o mundo, incluindo reabilitação de álcool e drogas, justiça e liberdade condicional, saúde comportamental, treinamento para pais e pré-natal – e, é claro, cuidados com a saúde. O uso da EM nos cuidados de saúde tem sido apoiado por dezenas de estudos que documentam seu valor para envolver e auxiliar pacientes com desafios difíceis no gerenciamento do estilo de vida e no autocuidado com doenças – que, assim como pacientes com problemas de abuso de substâncias, podem ter se acostumado a receber informações e censura sobre o seu comportamento pelas pessoas em suas vidas.

 

Embora a EM tenha sido particularmente popular entre os profissionais da área de saúde, há de se considerar leigos e profissionais – com ou sem treinamento formal – afetam os resultados da EM na adesão aos padrões de treinamento, avaliação e prática, que tem se mostrado inconsistentes. Neste contexto, a EM pode ser vista apenas como outra ferramenta (embora baseada em evidências) no kit de ferramentas de um profissional de saúde; como uma técnica que pode ser dominada após um workshop de treinamento de dois ou três dias;  ou um conjunto de habilidades inato para alguns profissionais (mitos que podem afetar diretamente o resultado nos estudos).

 

 

Em nível organizacional, o uso de treinamento que não se encaixam no MI ou na complexidade das habilidades envolvidas, geralmente não atendem às expectativas. De qualquer forma, a menor eficácia do treinamento (seja medida usando ferramentas objetivas e validadas) o impacto do treinamento ainda é  desconhecido. Várias organizações investiram em programas de desenvolvimento de treinamento de EM, trazendo profissionais associados ao Motivational Interviewing Network of Trainers (MINT) para formar parceria com a equipe clínica e na maioria dos casos, quando os resultados são medidos, os resultados são alcançados.

Em quase todas os estudos, a EM percorreu um longo caminho desde seu começo humilde, há mais de 25 anos, e você encontrará algumas descobertas e fatos mais interessantes sobre a EM  neste infográfico abaixo.

 

Referência:

https://healthsciences.org/Infographic-Motivational-Interviewing-Adds-Up

O desenvolvimento da Entrevista Motivacional

 

Introduzida em 1983, a Entrevista Motivacional (EM) agora é amplamente considerada como uma intervenção psicossocial eficaz no campo do tratamento das dependências. Com base na literatura de pesquisa, este artigo pergunta como isso foi alcançado. Contrariamente às concepções comuns da disseminação de intervenções psicossociais no campo do tratamento da dependência, essa análise não considera nem a identidade da EM e nem sua eficácia como qualidades inerentes, mas as vê como sendo construídas por vários atores. Este trabalho de construção é descrito como processos de estabilização. Sendo pouco estruturada e flexível, sugere-se que a EM possa ser considerada uma intervenção fluida. Isso apresentou dificuldades para sua subsequente estabilização. Como a EM foi diferentemente operacionalizada em ensaios clínicos, tornou-se óbvio falar sobre a eficácia da EM como um único objeto de preocupação em revisões sistemáticas e metanálises. O artigo discute algumas das complexidades envolvidas na produção e disseminação de intervenções psicossociais eficazes. Comparado com outros casos, a EM exibe um modo de estabilização um pouco diferente. Argumenta-se que a EM tenha sido estabilizada o suficiente para ser considerada uma intervenção eficaz, ao mesmo tempo em que incorpora fluidez, o que o torna útil em uma ampla gama de contextos clínicos

Referência:

Bjork, A. (2014). Stablizing a fluid intervention: The development of Motivational Interviewing, 1983-2013. Addiction Research and Theory, 22, 313-324. https://doi.org/10.3109/16066359.2013.845174

Terapia Comportamental Dialética e a Entrevista Motivacional: convergência conceitual, compatibilidade e estratégias para integração

 

A terapia comportamental dialética (DBT) e a entrevista motivacional (EM) são duas intervenções psicossociais amplamente usadas e eficazes. Um número imenso e crescente de estudos examina DBT, EM ou adaptações dessas abordagens em diversos contextos de tratamento e em várias populações clínicas. Como o DBT e a EM estão em alta demanda, é provável que profissionais encontrem uma ou ambas abordagens ao longo de suas carreiras. Embora o EM e a DBT tenham evoluído inicialmente em contextos distintos para diferentes populações, essas abordagens compartilham vários princípios fundamentais comuns. Cada uma fornece estratégias distintas e complementares para aumentar a motivação e a capacidade de mudança dos clientes. Para alguns, uma aplicação integrada ou sequenciada da EM e DBT pode aprimorar o atendimento ao cliente. O presente artigo destaca áreas de divergências, convergências e oportunidades de integração e oferece dicas práticas para aplicar DBT e EM em conjunto.

Referência:

Erin A. Kaufman, Antoine Douaihy, Tina R. Goldstein. Dialectical Behavior Therapy and Motivational Interviewing: Conceptual Convergence, Compatibility, and Strategies for Integration. Cognitive and Behavioral Practice August 2019. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2019.07.004

As contribuições da Entrevista Motivacional na Educação

 

 

 

Duas razoes que explicam por que a EM ajuda em problemas comportamentais com estudantes:

  • Trabalha simultaneamente a mudança do comportamento, dando espaço as necessidades individuais do aluno.
  • É particularmente adequada para pensar problemas. Contrário às crenças populares, descobriu-se que problemas realmente difíceis poderiam ser enfrentados usando um estilo mais suave, livre de culpas, rotulação e indução de medo. Professores e outros funcionários da escola enfrentam um desafio muito semelhante.

Veja abaixo orientações para atuar no Planejamento de Mudança com estudantes:

  1. Demonstração aceitação frente as oscilações da ambivalência;
  2. Ao surgir falas de mudança, reforçar e refletir;
  3. Evitar se adiantar em relação a prontidão para a mudança dos estudantes;
  4. Evocar a prontidão para a mudança e responder usando as habilidades essenciais da Entrevista Motivacional, em particular o reforço positivo;
  5. Fazer perguntas abertas sobre competências, escolhas e decisões;
  6. Reunir opções e incentivar a apropriação de uma decisão/solução;
  7. Evocar e reforçar o comprometimento com a mudança;
  8. Encorajar os estudantes a compartilhar sua decisão com outros e manter um registro de sucessos alcançados;
  9. Ajude os estudantes a visualizar lapsos de comportamento como oportunidades de aprendizagem;
  10. Ajudar os estudantes a manejar antecipadamente as barreiras ao sucesso.

Fonte: ¨Motivational Interviewing in Schools: Conversations to Improve Behavior and Learning (Applications of Motivational Interviewing) ¨

Stephen Rollnick,‎ Sebastian G. Kaplan &‎ Richard Rutschman

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