Motivational Interviewing with Offenders Engagement, Rehabilitation, and Reentry

 

Jill D. Stinson and Michael D. Clark

Applications of Motivational Interviewing Series, edited by Stephen Rollnick, William R. Miller, and Theresa B. Moyers.

Guilford Press    Ano: 2017

 

Escrito por especialistas que trabalham  com populações assistidas por  tribunais, este livro mostra como entrevista motivacional pode ajudar os infratores a ir além da resistência ou da complacência superficial e conseguir uma mudança de comportamento significativa. O uso da Entrevista Motivacional evidencia a promoção da reabilitação e a reintegração,  baseando-se nos valores, objetivos e pontos fortes dos clientes – não simplesmente dizendo-lhes o que fazer.

Os autores descrevem claramente as estratégias centrais da Entrevista Motivacional  e  exemplos de diálogos na justiça penal e configurações forenses. De importância crucial, o livro aborda a implementação da Entrevista Motivacional nos sistemas de reabilitação de agressores, incluindo estratégias práticas para superar obstáculos.

Fala de Permanência ou de sustentação: declarações contra a mudança

 

Fala de mudança: trata-se de qualquer discurso do cliente que favoreça o movimento em direção à uma meta de mudança específica. O cliente pode listar as vantagens ou as desvantagens em mudar; ou expressar intenção em relação à mudança.

Fala de Permanência: Qualquer discurso do cliente que favorece a situação de risco ao invés de movimentar em direção ao objetivo de mudança

Fala de SustentaçãoComportamento interpessoal que reflete a dissonância na relação do trabalho terapêutico. A Fala de sustentação  não constitui, em si, discórdia. Exemplos: argumentar, interromper, discordar ou ignorar.

Como atuar:

    • Sob o espectro da fala de permanência ou sustentação, o cliente está a um passo da dissonância;  e as estratégias de atuação são semelhantes as utilizadas mediante falas de mudança, só que o profissional foca o lado – da ambivalência.
    • Utilize a escuta reflexiva (tente utilizar o “as reflexões ampliadas” para enfatizar, então se afaste da emoção aversiva e da fala de  permanência ou sustentação).
    • Perguntas fechadas correm o risco de reforçar a resposta aversiva.
  • Enfatizar a escolha pessoal é de fundamental importância.

Um Estudo Exploratório sobre Supervisão em Entrevista Motivacional

 

Embora se acredite que a supervisão seja uma estratégia importante para o treinamento profissionais, pouco se sabe sobre como deve ser organizada

e conduzida para promover a fidelidade na implementação.

Objetivo do estudo: explorar comportamentos do supervisor que possam facilitar a proficiência dos orientandos na Entrevista Motivacional.

 

Método: estudo exploratório, com dez supervisores de uma intervenção de prevenção primária da obesidade infantil responderam a entrevistas semiestruturadas sobre seus comportamentos de supervisão. Um método misto abordagem foi usado: dados qualitativos e quantitativos foram coletados e analisados.

Resultados: Os supervisores relataram o uso de várias fontes de informação para avaliar e fornecer feedback sistemático sobre o desempenho dos orientandos. No entanto, a maioria não usou as medidas objetivas disponíveis de proficiência como fonte primária. Além disso, metade dos supervisores argumentou que feedback objetivo pode ter um efeito punir nos orientandos.

Conclusões: Variações no uso de componentes de supervisão que pesquisas anteriores propuseram serem potencialmente influentes no processo e nos resultados podem levar a uma supervisão menos eficiente. As conclusões sugerem que as atividades de supervisão apropriadas conduzidas em cada sessão de supervisão requerem princípios claros de supervisão que especificam o conteúdo e o procedimento da supervisão, bem como o monitoramento regular da aderência nas sessões de supervisão.

Referência:

Beckman M, Bohman B, Forsberg L, Rasmussen F, Ghaderi A. Supervision in Motivational Interviewing: An Exploratory Study. Behav Cogn Psychother. 2017 Jul;45(4):351-365. doi: 10.1017/S135246581700011X.

Revisão que avalia a Eficácia da Entrevista Motivacional para melhorar a atividade física e o auto gerenciamento da diabetes tipo 2 em adultos

 

Objetivos: Esta revisão examina a eficácia da entrevista motivacional para melhorar a atividade física e o auto gerenciamento em adultos diagnosticados com diabetes mellitus tipo 2.

A entrevista motivacional é uma intervenção de aconselhamento individualizada, centrada no paciente, que visa obter a própria motivação da pessoa para mudar o comportamento de saúde. As perguntas da revisão foram: (a) Como a EM foi aplicada a intervenções dirigidas a atividade física para adultos com diabetes mellitus tipo 2? (b) Quais abordagens motivacionais estão associadas a resultados positivos de atividade física com diabetes mellitus 2?

Métodos: Revisao de artigos com base no levantamento em bancos de dados PubMed, CINAHL e PsycINFO, de 2000 a 2016.

Os critérios de inclusão foram: Entrevista Motivacional utilizada como principal intervenção; mensuração da atividade física; significância estatística relatada para resultados de atividade física;  pesquisa quantitativa e artigos em inglês.

Resultados: nove estudos atenderam aos critérios de revisão e quatro incluíram intervenções de EM associadas a resultados significativos em atividade física.

Discussão: Os resultados sugerem que as sessões de EM devem atingir um número mínimo comportamentos de autogerenciamento, serem ministradas por profissionais proficientes em EM, e utilização de protocolos de EM com ênfase na duração ou frequência de sessões

Referência:

Soderlund, P.D. Effectiveness of motivational interviewing for improving physical activity self-management for adults with type 2 diabetes: A review. Chronic Illness,2018, Vol. 14(1) 54–68.

 

 

Fala de Mudança

 

  • Fala de Mudança

A Entrevista Motivacional difere do aconselhamento em seu direcionamento. O cerne do direcionamento é suscitar a fala de mudança. Isto significa que a EM tem uma ideia clara do foco, que é o tema da conversa.

Dentro da EM existem estrategias para moderar as falas de sustentação e permanência; e táticas para estimular e consolidar a fala de mudança.

 

  • Reconhecendo a fala de mudança

O cliente expressa as desvantagens do status quo, as vantagens da mudança, otimismo para mudar ou intenção de mudar. Há cinco tipos principais de fala de mudança, resumidos no acrônimo DARN-CAT: Desejo, Habilidade, Razão, Necessidade, Compromisso, Ativação, Tomada de Passos.

  • Identificar e Reforçar a fala de mudança

Peça por elaboração e exemplos: O que? Por quê? Como? Fale-me sobre isso. Siga a sua curiosidade.

Reforce o discurso de mudança – Exemplos: Esta parece ser uma boa ideia!;  Percebo que pensou muito sobre isso.

 

Tipos de reflexão

 

A reflexão simples repete o que cliente acabou de falar, fazendo uso das suas próprias palavras. É mais do que apenas repetir ao cliente, a resposta deve passar por você e ser alterada de alguma forma.

A reflexão ampliada reflete algo de forma exagerada ou amplificada, sendo que o profissional interfere no conteúdo dito pelo cliente e reflete com palavras novas, ampliando a perspectiva do que foi dito.

A reflexão dupla reflete a última declaração do cliente, com uma afirmação contraditória feita anteriormente. Você pode reformulá-la em forma de um dilema ou ambivalência que o cliente está enfrentando, ou construir a discrepância, refletindo um valor com um comportamento.

A reflexão complexa ou de sentimentos envolve repetir algo para além das palavras: tipicamente afeta também o significado, os valores ou a direção. Pode ser uma simples afirmação (Você parece feliz quando fala sobre sua esposa), mas pode ser mais sofisticada, por exemplo, ao vincular os sentimentos às experiências e comportamentos: Você se sente [nomear de forma precisa o sentimento do cliente] quando [nomear de forma precisa as experiências e comportamentos que dão origem ao sentimento]. Esta é uma abordagem bastante previsível! Uma vez que você se acostuma à ideia de vincular sentimentos com comportamentos e experiências, use as suas próprias palavras. Como regra geral, desvie da compreensão do conteúdo emocional quando refletir; se você exagerar, o cliente pode recuar e rejeitar a emoção.

A Metáfora ou Parafrasear movimenta-se muito além de conteúdo para fornecer um modelo para a compreensão, valendo-se de figuras ou frases/ditados para que o cliente consiga apreender o conteúdo.

As habilidades essenciais da Entrevista Motivacional: OARS* (português PARR)**

 

*Anagrama em inglês: Open Questions; Affirmations; Reflective listening; Summaries.

**Perguntas abertas; Reforço +/Afirmações; Escuta reflexiva; Resumos.

As habilidades essenciais da EM são ferramentas que você usa para navegar na conversa colaborativa, a saber:

  1. Perguntas abertas

Explorar as desvantagens do status quo (estado de estagnação): O que o preocupa em relação a sua atual situação? De que forma isso o preocupa? O que você acha que irá acontecer se você não mudar?

Estimular as vantagens da mudança: Como você gostaria que fossem as coisas? Quais seriam as vantagens em mudar? Como você gostaria que fosse a sua vida em cinco anos?

Expressar otimismo em relação à mudança: Ao decidir fazer uma mudança, o que o faz pensar que conseguiria? Quem poderia oferecer-lhe suporte para fazer essa mudança? Quando em sua vida você fez uma mudança significativa? Como você fez isso?

Buscar pela intenção em mudar: O que você estaria disposto a tentar? Das opções que mencionei, qual soa como a mais atrativa para você? O que você pode fazer?

Boas perguntas abertas também funcionam como  “mente aberta”. Se você faz uma pergunta com a possibilidade de ser surpreendido pela resposta, é um indicativo de que você está no caminho certo.

  1. b)Reforço + / Afirmações

Afirmações diretas incluem reconhecer as realizações e dificuldades. Elas apontam um traço, uma atribuição ou uma força; ou simplesmente reconhecem uma luta que o cliente vive. Elas validam a experiência do cliente, constroem o vínculo e o encorajam a usar as forças reconhecidas. Boas afirmações estão associadas ao sistema de valores do cliente e não do profissional: ou seja, não são elogios genéricos, mas intervenções altamente específicas, adaptadas ao cliente em sua frente (note que concordar é diferente de afirmar, pois há um distanciamento das ideias do cliente em relação às ideias do profissional).

Destinam-se a reassegurar para “longe da área problemática”: por exemplo, apontar as realizações como pai (apesar das dificuldades com o álcool) para construir a auto eficácia no cliente.

  1. c) Reflexão

Uma declaração do entrevistador com propósito de refletir significado (explícito ou implícito) sobre o discurso precedente do cliente. Trata-se de uma estratégia central na entrevista motivacional, sendo que existem vários tipos de reflexão.

  1. d)Resumir

Use uma transição acentuada ao anunciar que você irá resumir onde precisa ir, por exemplo: ¨ Deixe-me ver se entendi bem, você me disse que ….¨. É importante o profissional estar aberto às correções por parte do cliente.

Resumir é também uma ótima estratégia para usar quando você não tem claro o que dizer, porque ela situa o que foi dito e dá a possibilidade ao cliente e profissional  seguir com a elaboração de conteúdos .

O Espírito da Entrevista Motivacional

 

O espírito da Entrevista Motivacional é a sua essência. São quatro os aspectos fundamentais: parceria, aceitação, compaixão e evocação.

  1. Parceria: A EM é uma parceria onde as experiências do cliente, sua perspectiva e opiniões são respeitadas. O entrevistador oferece um ambiente propício para a mudança ao invés de ser coercitivo.
  2. Aceitação: O entrevistador reconhece o direito do cliente à autodeterminação e facilita uma escolha informada. Isto inclui um desinteresse (não indiferença),  mas sim neutralidade na escolha / resultado para o cliente.
  3. Compaixão: O entrevistador atua com benevolência na promoção do bem-estar do cliente, dando prioridade às necessidades do mesmo. A compaixão pode ser compreendida como um meio de tentar fazer o profissional se aproximar mais verdadeiramente da pessoa e não do problema dela. Uma vez que o profissional consegue ter acesso à unicidade de cada um, torna-se possível uma melhor compreensão das complexidades in­di­vi­duais que dificultam as mudanças de comportamento. É um ato de aproximar-se para verdadeiramente ajudar.
  4. Evocação: A mudança é um processo que ocorre naturalmente; a maioria das pessoas fazem mudanças em suas vidas sem ajuda profissional. A EM presume que os recursos e a motivação para a mudança encontram-se no cliente e daí a necessidade do profissional evoca-los de modo a facilitar o processo de mudança no cliente. Evocar quer dizer lembrar, recordar.

A abordagem geral é de serena e respeitosa curiosidade em relação à forma como o cliente chegou ao estado em que se encontra. Isso geralmente implica uma atenção especial aos valores do cliente para que possam ser apoiados a se reaproximarem desses valores. A motivação para a mudança emerge disso: não é algo que o entrevistador “bombeia”, como a gasolina em um carro. Uma boa metáfora é funcionar como um GPS para o cliente até a mudança.

 

As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem e como evitá – las

 

As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem e técnicas eficazes para evita-las, de Artur Freeman e Rose DeWolf trabalham pensamentos contraproducentes e como combate-los.

Confira a seguir :

  • Catastrofismo: conclusões catastróficas podem ser paralisantes
  • Telepatia: achar que sabemos o que se passa na cabeça alheia e que os outros deveriam também saber o que se passa na nossa.
  • Mania de perseguição: levar tudo para o lado pessoal
  • Acreditar em tudo que o assessor de imprensa diz: aqui eu faço um parênteses para as mídias sociais e correntes de Whats App – é necessário muita ponderação!
  • Levar as críticas muito a sério
  • Perfeccionismo: desejo de ser 100% perfeito leva a 0% de realização
  • Mania de comparação: tende a ser desanimador e em geral, é impreciso
  • Pensamento condicional “e se …”: focar nas preocupações invés de ampliar as capacidades de lidar com elas
  • Deve ser assim: o verbo dever no imperativo é uma ordem – o risco é ficar obcecado pelo que deveria fazer e não pensar no que pode ser feito
  • O vicio “sim, mas …”: encontrar algo negativo que se sobrepõe a todo aspecto positivo

Inicialmente é importante identificar seus pensamentos, analisá-los e mudar o padrão comportamental.

Em linhas gerais: Pare – Olhe – Escute! Não aja no piloto automático.

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